quinta-feira, 29 de outubro de 2020

 Disse e escrevi que ia ficar sentado esperando que me chamassem para tomar a vacina da gripe que desde os 65 anos tomo inexoravelmente. Não sou como um tal senhor que não tem dúvidas e raramente se engana. Tenho dúvidas até ao cocuruto da careca e quando me engano autocritico-me.

Já me chamaram e já apanhei com a dita!

Ena pá! Estou salvo!

Estou salvo porque este ano, ao contrário do ano passado e devido à pandemia "coroviridiana" as farmacêuticas compensam a falta de meios do S.N.S. para cumprirem a sua função nesta época. Creio que fizeram acordos  com as autarquias para suprir essa “disfunção”.
Assim, tendo-me inscrito na farmácia onde normalmente compro os meus medicamentos, já fui chamado e tal como no centro de saúde não paguei a vacina nem a respetiva toma.
Salvei-me!
Todavia não posso deixar de registar que pouco a pouco, por escasseio de meios do S.N.S. a privatização da saúde vai avançando e contrariando o princípio constitucional de “tendencialmente gratuita”.   
Mas que posso eu fazer?

Vamos lá ver se me salvei.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019


A propaganda oficial

Alguns comentaristas oficiais ou de bancada comentam os últimos acontecimentos no Mar Amarelo de uma forma absolutamente tendenciosa. Para resolver a equação não se podem alterar os dados necessários para a resolver. Dão-se cartas mas não servem; baralham-se novamente e voltam distribuir-se.  
Ou seja, os EUA e Coreia do Sul podem fazer manobras militares conjuntas à "porta" da Coreia do Norte e esta, por sua vez, deve ficar queda e sossegada?
Lança um foguete e ai Jesus, que o Kim é um perigo eminente, um bárbaro que quer dominar o mundo.
Tenham juízo. Quantos países já foram intervencionados e invadidos por tropas americanas? E a Coreia do Norte quantos países avassalou ou quantas bases tem instaladas em qualquer outra parte do Mundo?

O Kim é maluco perigoso? Será. Mais maluco é o Trump e tem, segundo ele próprio se gaba, a mais poderosa força militar do planeta.




terça-feira, 2 de julho de 2019


A marcha atrás
 A declaração de voto é uma figura regimental usada no funcionamento das assembleias.
Recordo (como é bom podermos ainda ter recordações depois de passado que foi o nosso prazo de validade) o tempo em que o PS, sendo governo, criticava o PCP por rejeitar conjuntamente com o CDS um determinado diploma. Era um facto explorado nos media até ao tutano porque o PCP tinha votado ao lado da extrema-direita.
Acontece que a tal declaração de voto a que ninguém liga nenhuma serve para explicar as aparentes incongruências sobre o sentido do voto.
Não sei se no caso da aprovação da lei sobre a progressão na carreira dos professores, o PCP e o BE fizeram alguma declaração de voto, mas se não fizeram, deviam ter feito.
Acontece que talvez fazendo-o, não houvesse tanta confusão na cabeça dos simpatizantes dos dois quadrantes (esquerda e direita) que procuram explicar de forma retorcida este caso para tirarem dividendos políticos.
Os dois partidos à esquerda votaram a favor por coerência com a sua linha política, o PSD e o CDS votaram a favor para desconchavar a Geringonça.
Leio agora, que Rui Rio e Cristas ainda não levantaram o pé da embraiagem mas já meteram a marcha atrás.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

O Think-Tank Nacional

Acabamos de ser informados, via “Observador”, que Balsemão vai criar um clube “Bilderberg” à portuguesa.
Acho muito bem!
Já temos o cozido à portuguesa que prima pela variedade de ingredientes que o compõem, onde não falta a carne de vaca e o chispe, o frango e os chouriços, a couve, as batatas, o nabo e a cenoura, o arroz e o feijão e ainda o rabo e a orelha do porco.
Passaremos a ter o clube “Bilderberg” à portuguesa, que por sua vez, leva banqueiros como elemento básico e ainda alguns milionários e empresários, alguns presidentes de organizações, tudo temperado com um político no ativo.
No cozido costuma aproveitar-se o caldo que resulta das cozeduras das carnes para fazer uma sopa onde se pode adicionar, pão, massinha ou arroz.
No Clube não se pode adicionar mais nada, embora eu julgue que um ferroviário, um metalúrgico ou mesmo um almeida poderiam dar algum equilíbrio a este pitéu.
Temperar com um pouco de pilgrim pode melhorar o paladar.
Nota: Consta no curriculum de Pinto Balsemão que “É o único português com estatuto de membro permanente do clube e do seu Steering Committee”, pelo que eu penso que este clube é mais uma agência do verdadeiro clube Bilderberg.

Auto-estima, para que te quero?



Tendo lido, por acaso, que a CMTV tinha um nível médio de audiências superior às estações suas concorrentes, deu-me para tentar calcular o peso que esse fator poderia ter na formação ou formatação, se preferirem, dos portugueses. Deve haver uma política de informação sui generis, pensei eu.
Assim resolvi malbaratar o pouco tempo que ainda me resta a olhar para a pantalha sintonizada naquela estação campeã de audiências.
Eram 20H00
Homem Mata filho à facada.
Morreu carbonizada na casa onde vivia.
Incêndio em zona de mato.
Pânico às portas de Lisboa.
Crime em Silves – morto a tiro de carabina.
Mulher a quem o marido pegou fogo ficou internada.
Tragédia em Alpiarça
Reacendimentos em Pinhal Novo.
Pombal – Homem matou filho à facada na zona do tórax.
Incêndio em Carrazedas – CMTV dá primeiro.
Suíça – Português esfaqueou uma mulher e depois suicidou-se.
Jogador do Sporting (Rafael Barbosa) detido por ameaças e por resistir à detenção.
Um homem tentou abusar de 2 meninas de 11 anos no Prior Velho e foi surpreendido por populares.
Alhos Vedros – dois bombeiros feridos em incêndio.
Crime em Silves há cerca de três anos. Belga vai ser julgado no tribunal de Portimão.
A partir daqui (21H54) segue o futebol repetindo uma notícia anterior:
Jogador do Sporting detido (jogava no Portimonense) 
Sporting – Esforço por João Mário.
Bruno Lage pode sair do Benfica.
Félix no Manchester City?
Jesus aponta ao mundial de clubes.
Octávio Machado sabe tudo.
Bruno adia transferência.
Às 22H29 interrompem para anunciar que Félix foi assobiado e insultado no Porto.
Segue-se a ligação para o local. Até às 23H18 assistimos centenas de vezes às imagens do carro em que seguia o jogador percorrendo uma distância de cerca de 20 metros. Enquanto as legendas em letras “megabold” iam anunciando:
Félix e pais assustados.
Confusão no Norte.
Gritos, assobios e insultos.
Murros no carro.
Gritos de lampião de merda.
Uff. Vou tentar tirar ilações desta técnica que me faz lembrar aquelas fitas adesivas que se penduravam no teto para atrair as moscas, e talvez mais tarde apresente aqui as conclusões a que cheguei.
Nota: deliberadamente não mencionei a notícia de 20 segundos, introduzida no período imediatamente anterior ao tempo dado a Félix, sobre a vitória de Pimenta na Taça do mundo de remo. Estou convencido que se ele tivesse morrido afogado em vez de 20 segundos seriam pelo menos 20 minutos.
O petróleo e as papoilas.

Portugal ocupava em 2017 o 3º lugar dos países mais pacíficos do mundo, apenas precedido da Nova Zelândia e da Islândia. Em 2018 intrometeu-se a Áustria e fomos apeados do pódio. Nenhum deles baseia a sua economia no petróleo.
Nos últimos lugares estão Iémen, Síria, Sudão Sul e Iraque, cujas economias dependem em primeiro lugar do petróleo.


Poderia ser uma coincidência, mas podemos admitir a hipótese que o ouro negro é uma espécie de génio do mal que provoca insegurança nos países que o possuem e não têm tecnologia suficiente para o extrair e transformar.
Respingo aqui um trecho que retirei do Observador, que considero insuspeito dado que até fujo do Manel Fernandes como o diabo foge da cruz:
“A 9 de agosto, um míssil da Arábia Saudita matou 40 crianças a bordo de um autocarro. É o episódio mais chocante de uma guerra longa, complexa e muito ignorada. Saiba, afinal, o que se passa no Iémen.(…) Quando já estavam a bordo, foram alvo daquele que foi, até hoje, um dos ataques mais bárbaros dos mais de três anos que já leva a guerra do Iémen: uma bomba lançada por um avião pela Arábia Saudita (e apoiada pelos EUA, Reino Unido, França) atingiu de forma letal aquele autocarro. Morreram 51 pessoas, entre as quais 40 crianças.”
Não vou falar da Síria, nem do Iraque, nem do Sudão do Sul, mas a instabilidade que os coloca nos últimos lugares deste “ranking” tem por certo origem em interesses extranacionais.
Pois é, não falei do Afeganistão porque não tem o petróleo como base da economia, mas a papoila, meu Deus, a papoila é o seu “ouro negro”, muito apreciada nos países ditos civilizados.

Antissépticos como alternativa para a Europa

Toda a gente gosta de dizer coisas, inclusivamente há gente que gosta de dizer que os outros gostam de dizer coisas.

Acontece que Ferreira do Amaral, como economista que é, e eurocético que sempre manifestou ser, também tem uma opinião sobre a nossa adesão à Europa. Como moderado  aconselhou que nos devíamos preparar para uma eventual saída do Euro.
Do que me lembro, eu que já sinto os neurónios a patinar, é que entramos para a Europa pela mão de Mário Soares, com a promessa de convergência - mais cedo ou mais tarde íamos ter um nível de vida idêntico aos países mais desenvolvidos – e aplaudimos.
Passados tantos anos dessa data continuamos na cauda da Europa, com o salário mais baixo, com o leque salarial mais dilatado e com um clima de corrupção que nos coloca no topo dos mais corruptos.
Ferreira do Amaral entende, que dada a nossa fragilidade económica, se Trump, Merkel, Putin e Macron espirrarem cada um por si ou, ainda pior, em uníssono, mergulhamos numa crise de tal ordem, que cairemos numa crise profunda se não tivermos um plano “B” para a suportar. Não fujo á regra: Também gosto de dizer coisas.
E disse.
Nota: Se a Europa resolver comprar armas aos americanos para satisfazer as ideias de um louco, que procura criar um ambiente de guerra fria, para satisfazer o loby armamentista que o apoia, a Europa que se escafeda… porque eu vou ali… e já venho!

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Facebook, para que te quero?

Mark Zuckerberger inventor, fundador e dirigente desta plataforma acredita que a “humanidade progride quando consegue abater as divisões sociais e geográficas a fim de formar comunidades morais cada vez mais amplas”. Concordo.
A minha dúvida é que Facebook tenha vindo a contribuir para o desenvolvimento dessa “humanidade”. O próprio Mark entende que se outras forças não colaborarem para esse objetivo, o Facebook não o poderá fazer sozinho.
Que outras forças?
Os coletes amarelos usaram esta e outras plataformas para desencadearem um movimento de contestação. Macron propõe uma lei anti agitadores que entretanto a maioria parlamentar já aprovou e confiou também ao exército a manutenção da ordem.
São forças deste tipo que podem ajudar o Face a cumprir a missão a que se propõe o seu fundador?
Por outro lado o “Face” lançou no fim do ano passado a aplicação Dating. Efetivamente existe aqui a intenção clara de contribuir para o acasalamento. Recordo-me que antigamente encontrávamos a nossa/o cara-metade na escola, nos bailaricos, em casa de amigos, no trabalho, agora pode-se arranjar parceira/o ao abrigo da coscuvilhice familiar, o que aterroriza a maioria dos pais. Será essa uma evolução no bom sentido?
Eu não sou saudosista, mas tenho saudades dos bailaricos, onde até era costume levar as damas ao bufete. Por acaso nunca levei nenhuma, porque andava sempre liso e como era amigo do “mestre sala” ela avisava-me:
- Vou chamar damas ao bufete, aguenta, não dances agora.
Querem mais humanidade do que esta?




Recapitulemos.

Muita gente continua a afirmar que antigamente é que era bom. Aqueles que ainda sobram do antes do 25 de Abril de 74 e já são uma minoria (oh pra mim) devem sofrer de amnésia ou tendo perdido alguns privilégios tomam a parte pelo todo e lamentam-se de uma forma semiautomática, tal como eu quando perante um caso bicudo não evito o “ai valha-me Deus”.
Os mais novos que nasceram durante ou depois dessa data ou não foram devidamente informados ou, o que é mais grave, foram formatados pelos mais velhos, e não tendo o “bichinho” que nos empurra para esclarecer e investigar, ficam quadrados.
Estas afirmações surgem quando ocorrem alguns casos, de que é exemplo a corrupção, que, neste lindo e primaveril Abril, floresce por entre os meandros das redes familiares produzindo extensos e belos jardins de múltiplas espécies vivazes.
É nesta altura que uns e outros (acima referidos) dizem:
Antigamente isto não acontecia.
Ora bem, tendo tomado conhecimento, através de investigações recentes feitas por laboriosos historiadores, de que o Marquês de Pombal desviava água do aqueduto para ele e para os amigos (os familiares não são referidos) dei comigo a pensar que no século XVIII não havia Felícias, Vieiras, Carvalhos e Anas (leais ou mesmo desleais) porque também não havia o Independente, o Jornal do crime, o Correio da manhã e a TVI que os pudessem alimentar.
O meu “foco” (desculpa lá ó Vitória) é informar que antigamente os poderosos da política e os seus amigos não eram anjinhos, quanto mais serafins e não evitariam mandar para a fogueira os agentes investigadores e delatores.
Ao ver a sanha com que os políticos se atiram uns aos outros, a qual só é comparável com aquela com que mutuamente se atiçam os comentadores de futebol nos inúmeros canais de televisão durante horas a fio, lembro-me de um caso que o meu avô nos contava.
Um seu vizinho tinha dois cães que passavam o tempo a lutar e a morder-se. Um dia, incomodado com a barulheira fechou-os num barracão que tinha no quintal. Só quando regressava do fim-de-semana passado na praia, se lembrou que os tinha enclausurado. Quando chegou a casa foi abrir a porta do barraco e os cães tinham desaparecido. Concluiu, então; que se tinham comido um ao outro.
Que tal fecharem os atiçados mais os atiçadores no Campo Pequeno?
Pode ser que se comam uns aos outros e possamos, por fim viver em paz!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019


No reino da especulação

    Quando tinha tempo para ler jornais reparava que muitas vezes, demasiadas vezes, os títulos das notícias não correspondiam ao seu conteúdo. Como agora só tenho tempo para ler os títulos, o melhor é não os ler.
    Mas aqui no "Face" tenho oportunidade de reparar que a senda da especulação noticiosa continua fulgurante, procurando agarrar o leitor/cliente, compondo títulos com cargas emotivas que falseiam o acontecimento relatado.
    Este é um dos exemplos:
    Título da notícia no diário “Publico”: “Portugueses já consomem mais álcool do que os russos”.
    Ora bem, aquele “já” encaixado à martelada transmite imediatamente a ideia que passámos a beber mais do que bebíamos e ultrapassámos os russos.
    A verdade é que bebemos menos do que bebíamos (pouco menos, é certo) e os russos é que passaram a beber bastante menos.
    Logo, um título honesto seria, por exemplo:
    Os russos já consomem menos álcool do que os portugueses.
    Agora, vou ali ao lado comprar umas cervejolas, que o meu stock está quase a zero, enquanto aguardo que apareça uma imagem que questione porque os portugueses bebem tanto.

sábado, 19 de janeiro de 2019



    Onde irá este Rio desaguar?

   Um colega d’armas agradece-me o tempo que dediquei a falar do seu partido. Desprezando a ironia, de que também me abasteço com alguma frequência, acrescento que só não dou atenção a tudo o que se passa à minha volta porque os media me baralham e distraem com superficialidades, que diga-se de passagem estão a transformar a sociedade num “molho de brócolos”.
    No caso em apreço, já estava deitado e preparava-me para contar carneirinhos, quando dei comigo a pensar nos motivos que poderiam estar na “tripardirazição” do PPD/PSD. 
    Dizem que é um partido plural e democrático. Plurais e democráticos também os outros são, com algumas “nuances” que os distinguem.
     Vejamos: 
  O PPD/PSD já fez 37 congressos em 44 anos.
  O PS fez 22 congressos no mesmo tempo.
  O PCP fez 20 congressos, mas em 96 anos.
  Será que 44 congressos são sinónimo de pluralidade e democracia?
  E a unidade? O que é? Acaba ela quando os interesse particular de cada um dos membros se impõe?
  Aceitar a vontade da maioria é antidemocrático?
  Tá bem, abelha!

sábado, 5 de janeiro de 2019

A coisa já vem de longe…




Trindade Coelho um escritor português com algum mérito, distinguiu-se no conto rústico por mor da sua infância passada em terras transmontanas. Também escrevia crónicas para jornais de província e até para o “Jornal da Manhã” do Porto e o “Diário Ilustrado” de Lisboa.
Formado em direito pela Universidade de Coimbra exerceu advocacia e fez vários concursos para a magistratura onde entrou, segundo ele próprio escreve, pela mão de Camilo Castelo Branco.
Foi ao ler o seu conto “Idílio Rústico” que deparei no prefácio com a transcrição do seu agradecimento a Camilo:
“Mas um dia de manhã recebo uma carta de Camilo Castelo Branco, o grande escritor, que eu nunca tinha visto, nem ele a mim: dizia-me que vira nos jornais que eu fora a concurso, e que escrevera ao ministro, pedindo-lhe que me despachasse!
Caí das nuvens! Mas daí a poucos dias estava efetivamente despachado delegado do Procurador Régio do Sabugal, e eu ia ao Minho visitar o grande escritor, vê-lo pela primeira vez (primeira e última) e beijar-lhe as mãos pelo seu grande favor”.
“Put in a good Word” é uma coisa que antigamente até se confessava publicamente.
Porque será que hoje se esconde?




segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Eu, tu, ele e NOS

   Neste preciso momento, estou a sentir-me ludibriado. Chega-me esta publicidade, que não sendo enganosa para os novos assinantes, me relega para um plano inferior, deixando-me a pagar mais pelos mesmos serviços, a mim, que, no que diz respeito a fidelizações, peço meças. 

   A minha intenção imediata é dar-lhes com os pés, as pantufas ou os cascos, mas como sei que a concorrência procede de igual modo (vale tudo menos tirar olhos/ cada um ao seu e todos ao mesmo) fico-me... fico-me, meio aparvalhado sem saber o que fazer.
   Fujo para uma ilha deserta? Se tivesse um "Sexta-feira" para todo o serviço, era canja, até ia a nado. Por isso resta-me ir dar uma volta ao quarteirão, respirar fundo, pontapear a garrafa de plástico no meio do passeio ou mesmo soltar um profundo uivo canino para desintoxicar o "plexus".
À noite, durante o sono, o problema será estudado e ao acordar terei na mesinha de cabeceira o plano para enfrentar a situação.
   Por agora, fico-me.

sábado, 25 de agosto de 2018

“A minha alma está parva”


   Juro pela minha honra que a primeira vez que ouvi a expressão “a minha alma está parva”, foi da boca da minha mãe, lá para os anos quarenta do século passado. Por isso não venha a Clara Ferreira Alves acusar-me de plagiar o título do seu livro porque é falso e mesmo que fosse verdadeiro, não tinha moral para me criticar. Como é evidente também não creio que tenha sido a minha mãe a autora; por certo era dito popular, que indicia enorme surpresa por qualquer acontecimento.
    O meu “amigo” das linguísticas, Orlando Neves, também não inclui no seu “Dicionário de Expressões correntes” qualquer alusão a esta frase.
    Deste modo vos digo que a minha alma está parva por saber que já circula pela net uma petição pública para se investigar uma coisa que já foi investigada e propagada nos media por um processo que se chama jornalismo de investigação. Mas afinal temos que fazer uma petição pública para obrigar o ministério público a fazer o trabalho que lhe compete.
    Deve andar por aí uma pandemia qualquer que baralha os neurónios aos seres pensantes. A pandemia "peticionária". Parem por favor.
    Eu assisti ao programa da TVI sobre a investigação da jornalista Ana Leal. Quando confrontados com as acusações que são feitas aos três principais autarcas de Pedrógão, o presidente Valdemar Alves, à vice-presidente Maria Margarida Lopes Guedes e ao vereador Nelson Fernandes, denunciam um comportamento deveras comprometedor. O ar absorto do presidente, o sorriso malévolo/trocista da vice-presidente e o silêncio do vereador perante os factos que lhes são imputados, meus amigos… são comprometedores.
    Mas, o que mais me entristece e indigna são os contornos destes atentados.
    O presidente Valdemar Fernandes foi inspetor da PJ e ali trabalhou com Moita Flores de quem era amigo. De tal modo que Moita Flores o levou como assessor quando se tornou presidente da câmara de Santarém. Valdemar Fernandes foi o candidato do PS nas últimas eleições mas já tinha feito um mandato anterior como candidato do PSD. É primo do Tomás Correia presidente da Associação Montepio que considera como um irmão, o qual esteve envolvido no velho problema das Colinas do Vale Meão em Coimbra. O caso já foi encerrado; era tudo legal, de moral e éticas irrepreensíveis.
    Mais um caso como tantos outros que em catadupa vão acontecendo no nosso país. Depois não há culpados. Os processos prolongam-se através de recursos e mais recursos, que acabam por alimentar a existência de tantos escritórios de advogados (só a Itália tem mais advogados per capita do que Portugal) com dinheiro que foi sonegado ao erário público pelos arguidos. Na Itália até se justifica por causa da máfia. Mas por cá? Onde andam eles?

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

A direita com o rabo de fora
    Afinal o ataque a Ricardo Robles era só por uma questão de incoerência. E era.
    O nosso Presidente acaba por vetar a lei que dava prioridade aos inquilinos na compra de casa.
Estivesse esta lei já em vigor, creio que Robles não se teria metido nesta negociata e metendo-se, corria o risco de ser preso. Não sendo aprovada permite aos críticos praticarem especulação sobre a venda de imóveis, com a enorme vantagem de, além da legalidade garantida, ser de absoluta coerência. É fartar vilanagem!
    Sou deputado e faço uma proposta para circular a 100Km nas auto estradas. Chumbaram-na.
Devo eu, por coerência, circular à velocidade que propus para não ser multado.
   Ou, por exemplo, proponho que se baixem os salários dos deputados e toca de ser chumbada logo à nascença ou mais tarde vetada pelo nosso presidente. Devo eu por coerência receber menos do que os outros deputados?
   Ora tomem! Segue manguito!
   PS – Já o meu avô citava um dito popular: “A moral é uma folha de couve e veio um burro e comeu-a.”
   Adormeci depois do almoço, enquanto esperava sentado, que deixassem de falar dos incêndios. Ainda comecei a contar o número de velhinhos entrevistados por este país fora, sobre esta onde de calor que ameaça bater todos os recordes. As televisões estão delirantes! Neste momento já existe uma competição para ver qual o distrito que ganha o título da temperatura mais elevada.
   Claro que não me alarmei porque a maioria dos velhinhos dizia que já estava habituada. As televisões, era notório, ficavam embaraçadas, o que elas queriam era filmar as velhinhas a arder… ena pá isso é que era um furo do caraças, para a estação e para o repórter.
   Acho que já estava acordado quando a locutora anunciou que, algures, estava a arder um eucaliptal, mas não tenho a certeza. Se calhar sonhei com o fruto dos eucaliptos que como sabemos é uma cápsula com válvulas, muito rija e irregular. Depois imaginei, ou sonhei que um colchão cheio com as cápsulas do eucalipto serviria muito bem para substituir a cama de pregos que os faquires usam para exercitar a sua resistência. Pim! Apagou-se!
   Só não revelo o nome da pessoa a quem ofereceria o colchão.

sexta-feira, 13 de julho de 2018



A vigarice
                                                                                                              A mentira roda meio mundo
                                                                                                            antes da verdade ter tido tempo
                                                                                                                     de colocar as calças
                                                                                                                     (Winston Churchill)

 Antes de tudo o que possam dizer, quero confessar que o meu habitat é no meio dos eletrões e por isso, se me meto em comentários do tipo deste que agora inicio, só estão autorizados a dizer: Porque te metes tu, sapateiro a tocar rabecão?
Vigarice deriva de vigário que por sua vez decorre do latim vicariu. Em português vigário é aquele que substitui outro, mas no Brasil além de ser o pároco em muitas freguesias também é espertalhão, finório.
O facto de haver duas origens diferentes para legitimar a origem do termo “conto do vigário” deixam-me embaraçado sem poder concluir quem é que contribuiu de modo definitivo para se chegar à vigarice. No Brasil contam a disputa dos vigários de duas paróquias, Pilar e Conceição, por uma imagem de Nossa Senhora. Um dos vigários teria proposto que a santa fosse amarrada a um burro que seria solto entre as duas igrejas e a paróquia para onde o burro se dirigisse ficaria com a santa. Só muito mais tarde se descobriu que o burro era do vigário dessa igreja.
Por cá, nesta terra que nunca mais ganha juízo, e como não pode emigrar continua à beira mar plantada, a história é outra. Quem a conta é nem mais nem menos o nosso estimado Fernando Pessoa, amigo de Abel Pereira da Fonseca, que talvez sem saber contribuiu para os extraordinários devaneios poéticos de Pessoa. Um lavrador ribatejano, Manuel Peres Vigário é abordado por um fabricante de notas falsas…
O livrinho custa à roda de 5 euros. Se quiseram eu conto a história. Basta pedirem.
O que interessa ao caso é que Vigário deu em Vigarice, ficando nós sem saber a verdadeira origem.
Vigarice, pois!
Passaram já muitos anos sobre a data de qualquer das origens descritas para a ligação “vigário/vigarista” mas uma coisa é certa, a evolução tecnológica, a democracia que determina que é proibido proibir seja o que for, mesmo que seja para dar cabo da humanidade, o espírito globalizante que foi desencadeado como se fosse uma solução para as desigualdades, também deram origem à transfiguração da vigarice.
Hoje com as novas roupagens, que novas tecnologias favorecem, a vigarice surge tão camuflada que só a invenção de um “vigariçómetro” nos pode ajudar se por acaso o inventor não for um vigarista ao serviço do grémio respetivo. Muita atenção, pois todo o cuidado é pouco. Lembrem-se de uma coisa importante, hoje já não há contos…há euros.  
A vigarice está no anúncio de uma pomada, duma frigideira, duma casa, dum medicamento, dum mero pedido de ajuda, nas letras muito pequeninas dos contratos de eletricidade, de telefone ou televisão, do pedinte que se faz de pobre, do são que se faz de doente, do rico que declara rendimento mínimo, do político que faz promessas que sabe que não vai cumprir.
Pelo caminho que isto leva, proponho uma nova disciplina escolar: aprendizagem de técnicas defensivas contra os vigaristas.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Janeiro/2005
"Penduro aqui, para que não se perca.

A Batalha de Aljezur
Existem muitas pessoas que passados tantos anos ainda enaltecem Salazar por ter evitado que participássemos na segunda grande guerra mundial quando em setembro de 1939, anunciou a nossa neutralidade. O que não se entende é por que razão, essas mesmas pessoas, defendem hoje com tanta sanha a nossa participação ao lado da coligação na guerra contra o Iraque.
Se agora devemos entrar na guerra contra o terrorismo, não devíamos ter entrado na guerra contra o nazismo?
Quando Franco e Hitler se encontraram em Hendaia em 1940 e acordaram sobre o apoio espanhol, logo que existissem condições logísticas para um ataque a Gibraltar ou um embarque aliado em Portugal, Salazar entendeu declarar-se neutro para passarmos ao lado do conflito. E passou.
E a neutralidade? Existiu ela?
Nas andanças que faço pelo país durante as férias ganhei o hábito de visitar os centros culturais e as bibliotecas que um pouco por todo o lado as autarquias tiveram o bom senso de instalar e desenvolver. Para quem, como eu, recorda as poucas e mal apetrechadas bibliotecas itinerantes da Gulbenkian, que nos anos 50 do século passado andavam de terra em terra pelo país, contribuindo para, apesar de devidamente filtradas pela censura, quebrar um pouco o isolamento de que quem vivia no interior, não pode deixar de reconhecer que neste aspeto algo mudou para melhor.
Porque muitas autarquias incentivam e ajudam os “filhos da terra”  a publicar obras sobre temas que digam respeito à região, tive a oportunidade de adquirir um livro que se chama “A Batalha de Aljezur”.
O autor, José Augusto Rodrigues, fez uma longa e cuidadosa investigação para executar este trabalho, do qual apenas quero referir o seguinte:
Ali, é relatado um episódio da Segunda Grande Guerra que se passou ao largo da costa entre Sines e S. Vicente. Um comboio marítimo aliado, de 25 barcos, que se deslocava para o norte de África, foi atacado por quatro bombardeiros Condor, oriundos da base Bordéus- Mérignac no sul da França (já ocupada). Dois caças Spitfires que escoltavam o referido comboio perseguiram os bombardeiros, conseguiram abater um deles, que incendiando-se, veio a despenhar-se na falésia junto à Ponte da Atalaia.
O que agora convém sublinhar é o seguinte:
Os comboios referidos eram perfeitamente visíveis de terra quando dobravam o Cabo de S. Vicente. O chefe do farol, Francisco Faria Regêncio, 1º sargento condutor de máquinas, comunicava através de radioemissor para a legação germânica em Lisboa, que por sua vez alertava para a base alemã no sul de França. Em pouco mais de uma hora os bombardeiros alemães apareciam sobre a presa.
Os corpos dos aviadores alemães mortos no acidente foram retirados pela guarda-fiscal e na noite de 11 para 12 tiveram direito a velório com guarda de honra da Legião Portuguesa. No funeral estiveram presentes individualidades portuguesas e alemãs, o exército português fez-se representar por dois pelotões do aquartelamento de Lagos, que executaram as salvas em honra dos falecidos. Durante o cortejo fúnebre as urnas foram levadas aos ombros por membros da célula local da Legião Portuguesa.
Inúmeras fotografias da cerimónia mostram os participantes fazendo a famosa e caraterística saudação
Mais tarde, com a devida autorização do Ministério do Interior, as autoridade alemãs distribuíram medalhas e condecorações (Cruz de Mérito da Águia Alemã, destinada a condecorar quem se tivesse distinguido em defesa da  Alemanha) a alguns elementos da Legião Portuguesa.
Entretanto Salazar, dormia a sesta e não tinha dado por nada.
Neutralidade?
PUFF!


domingo, 12 de novembro de 2017

Web Summit

Excluindo o OLIMPO, só o PANTEÃO NACIONAL para concluir tão importante evento

- Ó Joaninha, Cheira-me a couratos assados – diz o Almeida Garret.
- Deve ser alguém a celebrar o aniversário, que tolos! Comenta o João de Deus.
- Isto é obra do Paiva Couceiro. Tem a mania de atear incêndios por tudo e por nada – replica o Manuel de Arriaga.
- Por favor não me falem em assados, que fico “piurso” – retruca o Sidónio Pais.  *
- Nomearam-me para descobrir os ossos do Camões, mas como sabem eu não vejo nada, mas cheira-me a batatas fritas – diz o Guerra Junqueiro.
O Teófilo não diz nada. Ele nem queria estar ali. Nem sequer há uma biblioteca.
Vou dar uma palavrinha ao António para saber o que se passa – promete o Carmona.
- Grandes lambões, olhem como eles se regalam! – regouga o Aquilino.
- Em Washington é que devia ter ficado. Fui mesmo burro!- Lamenta-se o Humberto.
Que estranha forma de estar aqui – pranteia Amália. Obrigada, obrigada, obrigada.
Quão lírica eu era, quando disse:
“Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo”- declama Sophia apesar do barulho dos talheres.
Eusébio lamenta-se - Se estão a cozinhar, Deus queira que haja caril de camarão com ananás. Que saudades!
* Sidónio, por caminhos ínvios, soube que depois do seu trágico destino, a populaça cantava:
Se tu visses o que eu vi
Lá para os lados dos Marinhais
Uma mulher a assar castanhas
 No cu do Sidónio Pais.
… e vai daí, ficou traumatizado.
Ora, digo eu, hoje é dia de S. Martinho, as castanhas estão uma merda, compram-se hoje e amanhã já estão piladas, pelo que vale mais cozê-las do que assá-las… e não se esqueçam da erva doce.
Tá?

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A Santa Casa

A Santa Casa
Esta Casa que não tem nada de santa e é muito pouco misericordiosa para com os jogadores compulsivos, foi agora processada por uma trabalhadora do... sexo viciada na raspadinha, que, não por acaso, rima com rapidinha.
O caso não é inédito pois muitos casinos por esse mundo fora foram processados por jogadores compulsivos que entendiam dever ser-lhes barrada a entrada nas salas de jogo.
Sentenças judiciais decretando a interdição e a inabilitação de pessoas com esta “doença” devidamente comunicadas aos Casinos, transferem para estes a responsabilidade que caberia ao jogador. Aliás, li algures, que fazer-se o registo de operações bancárias de determinada importância, é regra comunitária, tendente a diminuir este autêntico flagelo.
Resumindo, a sociedade, considerando que estas pessoas devem ser protegidas procura criar normas que as impeçam de gastar mais do que devem e podem.

Creio que este problema económico na vida das pessoas com este tipo de compulsão, pode ser transportado para uma outra dimensão.
O que se pretende neste tipo de sociedade mercantil com a enganosa e desenfreada publicidade dos artigos que nos são apresentados, é transformar-nos a todos em consumidores compulsivos, o que de certa forma nos equipara (não a todos) aos jogadores compulsivos.
E o que consumimos nós que nos leva a tamanho défice das nossas contas?
Consumimos tudo aquilo que os países industrializados fabricam para além do consumo próprio e que procuram vender a todo o custo mesmo que seja a países que não lhes podem pagar. Logo se aprestam a ajudar-nos com empréstimos usurários para pagarmos o que nos venderam. Eu vou comprar uma cafeteira Krups. Pago 100 euros na Worten, mas como aquilo que paguei, não chega às mãos da Merkel, ela concede crédito a um banco português para lhe pagar a maldita cafeteira e cujos juros vou ajudar a pagar. Fico sem saber quanto me custou a merda da cafeteira.
Contudo sei, que algures na Alemanha, há um trabalhador empregado a fazer cafeteiras.
Recorramos pois ao tribunal internacional para responsabilizar os países que propagandeiam os seus produtos de forma maldosa e sinuosa para nos transformar em compradores compulsivos.