quinta-feira, 13 de junho de 2013

A Biga



 Para mal dos nossos pecados já todos sabemos que a troika é um conjunto de três abutres que a soldo do FMI, BCE e Comissão Europeia vêm meter o nariz onde nunca deviam ter sido chamados. O etíope, o careca e o alemão, como já alguém os apelidou, desembarcam a miúde no nosso país para investigar onde gastamos o dinheiro e aconselhar o governo a cortar aqui e ali, mesmo que isso represente a fome, a miséria e até a morte de muita gente.
Mas nem todos saberão que embora troika tenha hoje o significado de “grupo de três pessoas ou entidades reunidas para um mesmo fim”, na verdade troika, no “princípio do princípio”, como diria um anónimo filósofo chinês, deriva do nome dado na Rússia a um carro puxado por três cavalos.
Quando um dias destes o nosso presidente, que podia muito bem ter travado o processo levantado a um cidadão malcriado que não conseguiu conter a indignação por tanta desgraça na sua vida, resolveu por si ou aconselhado por algum elemento da sua bateria de conselheiros, mandar o FMI prá urtigas, dei comigo a pensar, como se iria chamar o grupo de dois que ficaria de olho em nós.
Um carro puxado por quatro cavalos, sei eu que é uma quadriga, pelo menos desde que vi o Ben Hur na minha longínqua e despreocupada adolescência. Seria o cúmulo se tivéssemos 4 cavalos em vez de 3, perdão…, quatro inquisidores, a congeminar e determinar o nosso orçamento. Por essa razão achei que a sugestão/ameaça do nosso presidente tinha toda a razão de ser. Ficariam então só dois cavalicoques a enfiar o nariz nos papéis o que facilitaria o acordo mútuo, abreviando deste modo a sua estadia em hotéis de 5 estrelas, e aliviando a rúbrica destinada às favas dos respetivos orçamentos.
Chegado a este ponto pensei em pedir a um amigo deste grupo (que não seja macambúzio) para me informar sobre o nome dado a um carro puxado só por dois cavalos ou o que pelos vistos tem o mesmo nome, a dois beleguins do capital financeiro.
Mas a Net não falha. Talvez existam outros nomes para semelhante veículo, de turismo. O de combate serve perfeitamente e só não me esbofeteio por não ter pensado que se quadriga são quatro uma biga são dois. O veículo podia ser bípede ou quadrúpede mas era biga com certeza.
E, deste modo, os jornais avisariam em título de primeira página:
Desembarcou hoje no aeroporto a biga que vem fazer a oitava avaliação.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Por São Jorge!

O nosso presidente resolveu (ou alguém por ele) que devia invocar todos os santos para nos salvar da catástrofe eminente que paira sobre a carola dos portugueses. Vai daí aproveitou o 13 de maio e zumba, vai de Nossa Senhora de Fátima, que só escrevo com letra maiúscula para não ofender os verdadeiros crentes, que ainda vão aos magotes, a pé e de joelhos, ao respetivo Santuário para pedirem um emprego que deveriam exigir aos responsáveis que nos desgovernam.
Foi ela, ninguém duvide, que alta madrugada em vésperas do dia 13 de Maio, introduziu sub-repticiamente na cabeça dos “troycanos” a decisão que levou sua excelência ao agradecimento a Nossa Senhora de Fátima.
Poderia Sua Excelência, depois das críticas à ridícula atitude, ser mais comedido ou, na impossibilidade de o conseguir por inépcia temporal, pedir ao seu conselheiro menos tolhido pelo reumático “cachimoniano”, que lhe fizesse uma cábula como, segundo dizem, era costume fazer ao presidente...
Costa e Silva nestas ocasiões, que não dependerá cromossomaticamente dos Silvas de Boliqueime… embora até pareça.
Para não descarrilar da via religiosa em que embarcou resolveu pedir boas notícias a S. Jorge, o qual a esta hora, depois de desmontar do cavalo e se deitar à sombra dum chaparro dá voltas ao miolo para satisfazer aquele pedido. S. Jorge era um guerreiro e nunca teve um chefe militar que depois de permitir o desmantelamento do seu exército, tivesse o descaramento de lhe pedir boas notícias. Porra! Assim não dá!
Talvez até Sua Excelência só conheça S. Jorge de espírito de orelha, ou por causa do dragão ferido pela lança do guerreiro. Saberá ele que S. Jorge era filho de uma palestiniana, oriundo da Capadócia ou que lhe deceparam a cabeça?
Para recordar aqui fica o Jorge da Capadócia de Caetano Veloso, que a última invocação do Sr. Presidente me sugeriu. Ao menos isso – Fica a música!

domingo, 12 de maio de 2013

Porcos voadores

Santana Castilho na sua crónica do dia 27 de março considera que aqueles, como ele próprio, entendem que as medidas tomadas pelo governo, com a ”austeroclofobia” de que está possuído, só poderá piorar os índices do défice, da dívida e do emprego, são os que não acreditam que os porcos podem voar.
Ou seja, António Fiúza, presidente do Gil Vicente, disse em 2011 que tinha visto um porco a andar de bicicleta e portanto, desde essa altura, esta faculdade deixou de ser um ineditismo porcino e foi preciso criar outro – O porco voador!
Eu sou dos incrédulos, tanto no aspeto ciclístico como no aeronáutico.
E não me venham, por favor, colocar nenhum porco a ser transportado na bagageira de uma bicicleta, ou no porão de uma aeronave! Esse truque não pega!
Estou em crer que os crédulos devem ter visto esses fenómenos na banda desenhada de alguma revista para as crianças.
Os porcos são sempre associados a quem faz porcarias, contudo dão umas bifanas porreiras, umas suculentas costeletas do cachaço e uns chouriços que fazem salivar qualquer anorético.
O mesmo não se pode dizer de outros seres que andam por aí fazendo porcarias e cuja carne nem para enchidos serve.
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sábado, 11 de maio de 2013

Dois pesos, duas medidas

                                                                                         5/4/2013


E ao ler hoje que um jovem saudita esfaqueou um amigo que acabou por ficar paraplégico foi condenado a sofrer a mesma pena (ficar paraplégico) se não conseguir pagar-lhe uma indemnização, pensei:
A Arábia Saudita é um país onde não há eleiç
ões, nem parlamento, nem partidos. O rei tem o poder absoluto e o sistema legal saudita para além da pena de morte decreta castigos deste tipo ou amputação de mãos ou pés, chicotadas, etc.. Detenções sem julgamento, milhares de presos políticos sujeitos a torturas são o quadro local e comum neste país.

Todavia… bem… todavia os Donos do Mundo “moram” neste país, são amigos da família real que sempre trataram com muito carinho, e, contudo, não exercem a mínima influência para tornar este país senão mais democrático, pelo menos mais respeitador dos direitos humanos.
Invadiram e provocaram o caos noutros países para estabelecer democracias e impor os direitos humanos, mas ali, onde se amesendaram por causa do ouro, que embora negro lhes dá muito jeito, não dizem nada, não fazem nada como se vivessem no paraíso e entretanto vão enviando, das bases que ali possuem, os “drones” que assassinam os indesejados nos países adjacentes.

É a hipocrisia elevada ao máximo expoente!


A "Magna Carta"

 
                                                                                 8/4/2013
Lentamente mas com firmeza instalou-se um vírus nos meios políticos deste país. Febre, cefaleias, alucinações e algumas vezes diarreia, são os sintomas. Não se prevê que apareça uma vacina nos tempos mais próximos.
Alguns doentes apresentam sinais muito g
raves de distúrbio mental.
Teme-se que a doença possa ser altamente contagiosa.  

Estas considerações vêm a propósito do chumbo constitucional do orçamento do estado e do alarido produzido nas hostes da coligação
governamental, imediatamente secundado pelos seus simpatizantes mais importantes mas também dos mais anónimos. Catroga diz que os juízes partiram de pressupostos errados e um cronista de que não menciono o nome porque vou almoçar daqui a pouco, afirma que os deputados de 1975 eram um bando de loucos furiosos porque permitiram que a Constituição contenha ainda hoje artigos que defendem a igualdade, para além da ignominiosa suspeita que lança sobre a capacidade dos mesmos.
Fico definitivamente esclarecido sobre o uso sistémico do termo “populaça” com que este autor se refere ao povo. Deve ser um nobre, ou um bispo inquisitorial, que olha para o cidadão comum como escumalha que só precisa de uma côdea para ter força para lhe engraxar as botas. É “populaça” que não tem o direito de incomodar com o seu cheiro o ambiente do Gambrinos! Igualdade?! Puff!

Tecnicamente não posso pronunciar-me sobre direito, seja ele civil ou constitucional, de que a populaça apenas sente os efeitos. Os eletrões é que fazem parte de algum do meu saber, pelo que se for necessário fazer uma cadeira elétrica contem comigo… nem que seja só para lhe aquecer aquele rabo gordo!

O Maduro

                                                                                                                        24/4/13
Todos falam sobre o número de vezes que Maduro repetiu a palavra consenso. 10 vezes? 20 vezes?
Não sei. Nessa mesma altura estava a digerir a maturidade de que ele também falou, mas que só utilizou três ou quatro vezes.
Pensei: será que este Maduro já at
ingiu o estado de maturação ou está ainda um pouco verde?
Não é que eu não goste do verde embora não seja do Sporting, ou de vinho verde Alvarinho (não confundir com Álvaro, cada vez mais esvaziado de funções), todavia prefiro um bom maduro que não podendo ser Barca d’Alva 2004 a anos-luz do meu poder económico pode ser Alecrim dos pacotes.
Entretanto leio algures que um outro Maduro, do lado de lá do atlântico, teve uma vitória eleitoral com sabor a derrota. Clico na tecla “reverse” e lá para trás encontro alguns casos, o mais flagrante dos quais é a vitória eleitoral de um Bush qualquer que foi eleito com menos votos do que o seu opositor, sem que, por esse motivo alguém se tenha referido a paladares de derrota.
De qualquer modo consegui lobrigar que a maturidade a que se referia o nosso maduro, tinha a ver com o prolongamento (palavra muito mais acessível ao comum dos mortais desta nossa terra) para saldar a nossa dívida aos nossos credores que amável mas usurariamente nos vão emprestando o seu dinheiro, que, é bom não esquecer, é apenas papel sem o conveniente suporte.
E, perante esta confusão de ideias, eu, que sou meio maluco e não tiro medidas às palavras (vou tentar fazê-lo) fico a pensar, perante a a miserável involução em que nos encontramos, se não seria preferível trocar de Maduros.


Europa




Recolho e sublinho estas palavras de uma mulher que certamente teria evitado a 2ª Grande Guerra se fosse chanceler em 1939. Teria conseguido dominá-la como o introdutor da saudação romana na Alemanha, sem dar um tiro.
"Temos de estar preparados para aceitar que a Europa tem a palavra..."- disse.
 
Procurei entrar em contato com a Europa. Não a encontrei nas páginas amarelas, nenhuma referência no Facebook ou no Twiter. Talvez alguém da sua família soubesse do seu paradeiro. Consegui chegar à fala com Radamanto, que me recomendou ir a Tebas procurá-la. Ali, por mero acaso encontrei Zeus numa discoteca, já com uns copos no bucho, que com voz entaramelada, me contou que não tinha nada a ver com ela, e os seus inimigos políticos é que tinham inventado a história do rapto. - Eu, que sempre fui fiel a Hera! – Desabafou.
Fiz ainda mais algumas diligências, mas nada! Não havia o mínimo vestígio da Europa.
Existe uma corrente de opinião que entende ser ela que pariu o Euro. Conceberem-se filhos em idade tão avançada traz sempre alguns perigos e o Euro, coitadito, tem os dias contados.
O Escudo, malandro, já está de atalaia. Encanecido pela idade e pelas tormentas que enfrentou ainda se considera capaz de regressar às nossas carteiras.
“Reza-te a sina nas linhas traçadas na palma da mão
Que tens que dar 25 tostões por cada limão.
 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Falência do sistema à vista


Sr. Primeiro-ministro,
Não perco uma intervenção sua. Se não for em tempo real será em diferido. O único objetivo que me move é saber onde é que meu orçamento vai sofrer mais um impacto negativo, para imediatamente reformular, ou se preferir refundar, o meu orçamento familiar de modo a conseguir viver sem apresentar um saldo negativo no fim do mês. Nesse sentido aceito sugestões de familiares e amigos para reduzir a despesa do agregado mas sem nunca perder a noção de que os bens essenciais devem ser preservados. Não vou cortar no pão para comprar tabaco. Não vou ao cinema para poder pagar a taxa moderadora de uma consulta médica. Continuo ainda a abastecer-me de leite mas tive que mandar deitar meias solas nos sapatos em vez de comprar uns novos. Deixei de comprar o jornal diário para poder deliciar-me com a bica matinal. Não houve prendas no Natal nem festejei o ano novo para poder comer um bife de vez em quando, do pojadouro porque é mais barato. Tenho o automóvel parado à porta há mais de 1 mês, meio atestado, porque com gente doente em casa nunca se sabe quando pode acontecer uma emergência. Enfim, faço o que posso para manter o bote a flutuar.

Vossa Excelência comanda um Transatlântico e os passageiros estão a viver pior do que a marinhagem. Qualquer dia, se não aparecer um iceberg pelo caminho, não há passageiros a bordo, se, atendendo ao seu pedido, se atirarem pela borda fora.
Em quase todas as suas intervenções, se nos esquecermos das que fez na campanha eleitoral, desculpa-se com a governação anterior (por acaso logo que tomou posse ouvi-o dizer que nunca iria usar essa desculpa) e ultimamente tem-se referido à necessidade de convergirmos com os outros países em áreas como as despesas da saúde, a diminuição dos dias de indemnização por despedimento, à redução de pensões, ao número exagerado de funcionários públicos, de professores, etc.

Qualquer área em que pretenda impor mais austeridade lá vem pendurada na sua intervenção a explicação de que devemos convergir com a média europeia.
Isto é falacioso.
Quando alguém emigra para um país não deve preocupar-se apenas com o vencimento que vai ter, o qual é sensivelmente maior em qualquer país da EU incluindo a Grécia. É mais sensato saber quantas horas tem de trabalhar para poder comprar um frango, 1k de pão, de feijão, uma bilha de gás, ou o preço da viagem para o emprego, enfim, tudo aquilo que deve fazer parte dos gastos de qualquer família. Se nós temos o salário mínimo mais baixo da União, Vossa Excelência não deve procurar nivelar pelos outros, apenas aquilo que lhe interessa para justificar um aumento de despesa ou um corte no rendimento de qualquer família. Deve atender também à relação do preço dos bens que é preciso comprar para se viver com alguma dignidade e o seu próprio salário, rendimento ou pensão. O Sr. Primeiro Ministro acha que uma pessoa a viver com 485 euros na Alemanha poderia sobreviver? Só se fosse a bolachas d água e sal… e racionadas.

Descarregar no governo anterior a culpa da situação em que nos encontramos é uma fórmula estafada que os dois partidos que se têm alternado no governo têm usado depois das primeiras legislativas. Se nos primeiros anos se desculparam com as governações anteriores de Vasco Gonçalves, passado alguns anos passou a ser ridículo fazê-lo e desde então atacam-se mutuamente.
Se é certo que os partidos se distinguem por possuir ideias políticas diferentes, a luta pelo poder não justifica que não haja acordos pontuais para se conseguir o desenvolvimento sustentado do país e a estabilidade e qualidade de vida dos portugueses.

Apenas um exemplo: Vai fazer 36 anos no próximo dia 25 de Abril que se realizaram as primeiras eleições legislativas. Passados 36 anos (tempo de serviço para a reforma) os funcionários públicos de então estarão todos mortos ou reformados.
Se existia, em comparação com outros países da Europa um peso excessivo de funcionários públicos no nosso, não teria sido difícil fazer um acordo sobre a forma de reduzir esse peso de uma maneira calma e ponderada, equilibrando a sua saída para a reforma com o uso dos meios informáticos já então disponíveis.

Uma coisa que podia ter sido feita sem dor ou sobressaltos é agora feita em lotes de 40 mil despedimentos.

 Sr. Primeiro-ministro, se o sistema de partidos está hoje desacreditado ao ponto de se equacionar uma outra forma de governação, talvez mais representativa ou mesmo nada representativa como a que havia quando Vossa Excelência tinha 10 anos de idade e ainda jogava ao berlinde, a quem vão deitar as culpas os dois alternantes no poder?

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Toma lá favas que bem precisas...!


Venho poucas vezes ao armazém, mas quando chego noto imediatamente um cheiro nauseabundo a cavalariça. Uma mula coxa, com peladas na garupa e cheia de moscas à cata de carraças vem dar cabeçadas na porta e espreitar pela janela. Sei que vem, pois já lhe conheço as manhas como a mula do Moreira e aquele fedor não engana ninguém.
No dia em que a mula me perder o rasto, perde o sentido da vida, fica amarfanhada de desgosto, deixa de se alimentar e morre de inação. Paz à sua alma, se as mulas a tiverem.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Se calhar sou invejoso...

Por favor expliquem-me…!
Já sei que é mentira: Assunção Esteves não acumula pensão e ordenado.
Optou pela pensão (7255 Euros) e não pelos 5.000 euros correspond
entes à sua função de 2ª figura do Estado. Eu teria feito o mesmo se tivesse que fazer uma opção desse tipo.
Pela informação “wikipediana” verifico que se reformou em 1998 do seu emprego de juíza conselheira do tribunal constitucional com 42 anos de idade.
Gostava que me explicassem como se pode ter uma pensão de 7250 euros aos 42 anos de idade. Não quero fazer contas.
Comecei a trabalhar aos 17 anos de idade, reformei-me por aliciamento da entidade patronal quando ainda me faltavam 3 anos para completar os 36 de serviço para usufruir da pensão por inteiro, pelo que me descontaram 1/12 avos para cálculo da pensão.
Quando o ingénuo e melífluo Passos Coelho nos informa que não descontámos para a segurança social em função dos vencimentos que auferíamos estará a dar alguma piada para a Senhora Presidente da Assembleia da República?
Agradecia uma explicação para deixar de ter pesadelos durante a noite que me fazem subir a tensão a pontos de rebentar com os vasos todos, os sanguíneos, claro.
Agradecido.