sábado, 10 de agosto de 2013

E A LUTA CONTINUA...


      
 
        
E A LUTA CONTINUA…
    A espada de Rolando foi buscar,
      Já velha e embotada a apodrecer,
Sem préstimo até para brincar,
       Muito menos sequer pra combater,
 
O cavaleiro empenha-se a lutar
 Num combate feroz até morrer.,
      Só que a espada está a atrapalhar
      Já não corta, está-se mesmo a ver.
 
    E o Dom Quixote fora de cenário,
     Montando um piolhoso Rocinante,
          Combate, assim, galinhas de aviário.
 
                Valha-te Santo Ambrósio neste instante:
    Calça as pantufas e lê o breviário
     E trata de enterrar o tal montante.
 
                                                             Tiomanezé
Nota: Aqui coloco o soneto sem nenhum azedume. Percebo perfeitamente a piada.
Faço apenas uma observação: Aquilo que aqui escrevo desde 2008 são apenas desabafos, nem todos de caráter político, como poderás verificar. Um abraço.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

FLACHES



Flache 1
A Caixa Geral de Depósitos paga reformas aos presidentes de três bancos rivais: Santander Totta, Montepio Geral e Bic Portugal.
Justificação: são práticas que já vêm de há muito tempo. Justificam algumas dúvidas, mas não de legalidade.
Se quem tem poder para fazer leis, despachos e portarias para cortar subsídios legais, pensões legais, ordenados legais, pergunta-se: porque não ilegalizam a prática referida… já que suscita dúvidas?

 Flache 2

Sílvio Berlusconi acusa a magistratura de persegui-lo há 20 anos para correr com ele da política. “Sou inocente, não me rendo!”
Surpresa: Julguei que isto só acontecia no nosso país!
 
Flache 3
 
Depois da crise política, que os portugueses entendem ser da responsabilidade (por esta ordem) de Portas, Passos e Cavaco, tenho assistido através das imagens televisivas a uma mudança de comportamento dos dois líderes da coligação.
Para além de aparecerem mais vezes juntos, estão sempre sorridentes e cheios de salamaleques um com o outro
Perturbação: Estás a rir-te para mim ou estás a rir-te de mim – dizia o amigo desconfiado.
O que será que lhes causa tanta alegria e tão boa disposição, quando já há cidadãos a passar fome ou a viver na rua por terem sido despejados?
 
Flache 4

As necessidades financeiras do estado vão baixar para metade em 2014 porque a Segurança Social vai comprar quatro mil milhões de euros em títulos da dívida.
Pergunta: Se o fundo de 10 mil milhões de euros tinha sido criado para fazer face a uma eventual rutura no sistema de segurança social, o que vai acontecer no próximo mês? Ainda receberei a pensão? Os doentes terão médico e os desempregados o seu subsídio?
Pensamento muito íntimo: Será isto que lhes dá tanta vontade de rir?

Flache 5

Hora de almoço! A rapariga salta e rebola-se na praia cantando.
O refrão: “O meu coração faz pum um”
Surpresa: E quem faz os verdadeiros puns?

 
Flache 6

David Justino, o espião de Cavaco, nas reuniões tripartidas para a União Nacional, deu uma entrevista em que afirma: “Falta sentido de futuro ao sistema de ensino português”. Di-lo na qualidade de presidente do Conselho Nacional de Educação, órgão consultivo da A.R. e devidamente escorado na sua prática como ministro da educação do governo de Durão Barroso, “O Fugitivo”. Sim, sim, o seu currículo é estupendo: entrou no PSD pela mão de Isaltino, “O Presidiário”, tendo desempenhado a função de vereador da Habitação Social na Câmara Municipal de Oeiras entre 1994 e 2001.
Até hoje ainda não entendi como foi possível um entendimento entre um militante do MRPP, Durão Barroso) e um trotskista, David Justino, a não ser o facto de darem os dois algumas cambalhotas para o mesmo lado.
Mau, mau, parece que me perdi.

Concluindo: Quando derem, se alguma vez derem, sentido de futuro ao sistema de ensino português, eu já não vou estar cá para ver.
Na última hora, se a carola ainda possuir alguns neurónios a funcionar, eu vou sussurrar: Caramba! Tratem primeiro do sentido presente do sistema de ensino.

 Nota: Estudar o que fazer amanhã sem procurar resolver o que fazer hoje será uma doença?
Será um vírus? Será que foi o Cavaco com as suas reuniões conselheirais para o pós troica, que o contaminou?

terça-feira, 30 de julho de 2013

Baralha e dá outra vez!

O concelho de Vila de Rei faz fronteira a sul com o concelho de Abrantes e o marco geodésico que assinala o centro de Portuga está ali implantado. Temos pois, que Passos Coelho, talvez com o intuito de fazer chegar a sua voz a todo o país, ...escolheu aquela terra para debitar mais alguns pensamentos ou “tiradas” (como vos aprouver).
Para mim, que já tenho alguma dificuldade em resolver charadas e a jogar às damas só consigo prever até à terceira jogada, fico assarapantado com as explicações dadas pelo nosso PM à nossa misera situação.
Quando, correspondendo a um apelo feito há alguns meses para pouparmos, eu julgava estar a contribuir para o equilíbrio das finanças públicas, eis que ele me diz que o mal é termos poupado em demasia.
 
Contrafeito e violando a moral da fábula de “O velho, o rapaz e o burro” acreditei que tinha de passar a gastar mais. Imediatamente reformulei o meu orçamento familiar e já agendei uma festa de arromba no S. Martinho, uma passeata no Douro e também já marquei lugar para o fim do ano no Copacabana Palace do Rio de Janeiro, esperando, confiante, que desta vez Relvas esteja nos antípodas a fotografar os dragões de Comoro.
 
O meu vizinho do fim da rua não tem o meu problema. É um sortudo! Desempregado há mais de um ano não conseguiu poupar nada e agora está impedido de ajudar a salvar o país porque também não pode gastar mais.
 
Sugiro que aproveitem um fim-de-semana e vão visitar o centro de Portugal. Passos Coelho já regressou a casa e os chouriços de Vila de Rei são famosos.

domingo, 28 de julho de 2013

LIBERTEM AS BORBOLETAS

 
LIBERTEM AS BORBOLETAS!
 
“Novo Almourol” diz então:
Em Constância, (custa a crer),
Fizeram uma prisão,
Prás borboletas meter.
 
Para não ferir a mente,
Num gesto discricionário,
Deram-lhe um nome eminente,
Que nem está no dicionário.
 
Seja o nome lá que for,
É sempre uma coisa feia.
Para mim causa horror
Ver insectos na cadeia.
 
Constância é meu percalço,
Faz-me sempre confusão:
O Camões de pé descalço,
Borboletas na prisão.
 
A nossa Mãe Natureza,
Pô-las no mundo animal,
Pra mostrar sua beleza
Em liberdade total.
 
Exijo pois, sem demora,
E não me venham com tretas,
Quero os insectos cá fora,
LIBERTEM AS BORBOLETAS!
 
                                    Tiomanézé

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A mentireza


Contam-se pelos dedos de uma mão as pessoas que apanhadas em falta por coisas graves ou menos graves, reconhecem a sua culpa. Normalmente, quando se trata de políticos, argumentam que é mentira, que estão a ser alvo de cabalas dos seus adversários.
Alguns Inocentes que usaram estas artificiosas manobras para defender a sua honra estão na cadeia. Mas também os há à solta e lá para o reino dos algarves até depois de suspensão do mandato, um tal presidente autárquico teima em voltar a ocupar a sua cadeira na câmara.

Aqui mesmo ao lado, em Sintra, um outro candidato instala a sua sede de campanha num edifício que pertence a um ex-presidente que durante o seu mandato construiu uma mansão no Parque Natural de Sintra Cascais, em zona clandestina portanto e perante as críticas levantadas afirma que existe um acordo comercial que será celebrado em breve com o Justino.
Tudo muito límpido!

As promessas eleitorais mais do que incumpridas são violadas e chamar mentiroso ao seu autor pode dar processo em tribunal e até, se calhar, ser condenado. Mentir tornou-se tão vulgar que já virou moda e não descarto a hipótese de os políticos fazerem apostas sobre quem é o campeão do embuste.

A senhora ministra Maria Luis tem tempo de antena para explicar que não mentiu quando afirmou que não tinha sido alertada para o risco das famosas “swaps” e, como toda a gente viu, passou o tempo a falar da prontidão com que o governo começou a resolver o problema.

Apesar dos emails trocados com o antigo diretor-geral do tesouro, agora tornados públicos, acabou dizendo: “Continuo a dizer que não menti”.

“Lá vem o lobo!”

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O Jogo sujo


   Não jogo à bola porque não tenho pernas para isso, não entro em jogadas duvidosas que a minha consciência possa aproveitar para me provocar insónias; não jogo na lotaria, totoloto ou euro milhões porque fiz as contas e cheguei à conclusão que tinha mais hipóteses de ser atropelado na rua e apesar disso todos os dias dou o meu passeio. Todavia jogo o king, a sueca ou mesmo a bisca lambida… mas a feijões, o que, mesmo assim, não deixa de me irritar quando fico sem eles para no dia seguinte fazer uma sopinha de feijão branco com repolho.
    Mas mesmo não jogando continuo a perder.
Ainda hoje, paguei 15,45 euros de taxa moderadora (1) por uma consulta para obter as receitas dos medicamentos que preciso diariamente.
    Certa vez, fui surpreendido com a conta da eletricidade porque o IVA tinha subido para 23%. De uma outra, trepou a fatura da água, porque, numa jogada oportuna, passaram a indexar a taxa de saneamento aos kilowatts consumidos, o que originou a quadruplicação automática da conta anual de saneamento, como se as condutas da água tivessem que ser desentupidas com visacor (2). Este ano, descontaram-me mais para o IRS e em vez de me devolverem algum dinheiro ainda me pediram mais. Do corte nas pensões já nem falo.
    Só gostava de saber que tipo de jogada faz Passos Coelho quando a miúde nos vem embalar com a canção “Não vamos aumentar os impostos”. Pela parte que me toca tanto me faz que o dinheiro se suma em impostos ou em taxas e sobretaxas, nos preços do gás e da eletricidade.
    O efeito que incide sobre o meu rendimento é o de uma contínua contração!
    Se sua excelência nos pretende adormecer então que nos cante:

Papão vai-te embora
De cima desse telhado
Deixa dormir o menino
Um soninho descansado

   (1)    Taxa que modera a ida ao médico e a compra de medicamentos por afetar seriamente o orçamento familiar.
  (2) Medicamento que me custa 49,47 euros para desentupir a minha própria canalização.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Os sindicatos e as greves


Começo a ter a sensação de que me estou a esvair com as tentativas que faço para compreender o que se passa neste país. A aldrabice é pegada, as metas definidas e anunciadas são fracassos que se apressam a explicar com mais promessas e mais mentiras.

O PM, numa tirada infeliz e reveladora do pouco cuidado que tem quando abre a boca, diz que o país precisa menos de greves e mais de trabalho. Toda a gente concorda, principalmente as centenas de milhar de desempregados, e todos os que solidariamente não se conformam com a desgraça de quem perde a casa, vende o carro, recorre aos bancos alimentares e passa a viver da caridade de familiares e amigos. Claro, e
também aqueles que acham que o mercado controla tudo, incluindo a corrupção.

Venha ele, o Trabalho!

Políticos de todos os quadran-tes, críticos profissionais e amadores aparecem em cata-dupa nas pantalhas dos televisores para esclarecer o povo, mas só conseguem criar mais confusão. Penso que eles só usam os canais de comunicação para mandar recados uns aos outros.

Há dias num certo programa de televisão falava-se sobre a última greve geral. A senhora convidada, que não sei quem é, opinou em modos brandos sobre a adesão à greve, sobre as divergências de adesão emitidas pela CGTP e pela UGT. Quando o moderador deu a palavra a uma besta que estava do outro lado da mesa ele entrou assim:

- Não foi uma greve geral, foi uma greve banal.

Daqui, partiu para uma série de considerações sobre greves e sindicatos que nunca julguei ser possível - já não se justifica a existência de sindicatos, o mundo mudou, são outros os paradigmas e as greves deviam ser abolidas – despejou de um fôlego.

Sei muito bem que muita gente que anda neste mundo à procura de passar pelo intervalo da chuva não se importa que os outros fiquem encharcados desde que ele fique seco, tão seco como a sua sensibilidade perante a desgraça alheia.

Será que alguém pensa que o art.º 55 da Constituição deve ser apagado, mesmo que na UE todos os países contemplem este direito? Pelo modo como falam parece que sim, mas creio que é apenas o desconhecimento histórico da importância que o sindicalismo teve na luta pela dignificação do trabalho.

Em 1974 fecharam os grémios. Os grémios eram associações corporativas que não tinham lugar numa sociedade democrática. A grande maioria dos sindicatos existentes era controlada pela ditadura vigente. Acontecia normalmente nas reuniões da OIT os três representantes portugueses, do governo, do patronato e dos trabalhadores votarem em uníssono nas propostas apresentadas, o que causava alguma chacota nos plenários.

Os sindicatos tornaram-se livres e os grémios mudaram de nome – são agora confederações como CIP, a CAP, a AIP-CE ou a CTP.

Pergunto: Será que os sindicatos só podem existir se forem controlados pelo estado? Ou se aos sindicatos for imposta a proibição de medidas para defenderem os seus interesses?

Então experimentem…!

 
Nota: Claro que o termo grémio é usado noutras circunstâncias como no antigo grémio literário, ou no Brasil, onde se escreve grêmio, para definir a maior parte dos clubes desportivos.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Almôndegas de soja


Sou ribatejano
Sou contra as touradas
Repudio com veemência o tratamento dado aos animais considerados amigos do homem e até daqueles que não o são, dada a sua natureza.
Fico deprimido e com maus fígados quando enfiam os filhotes dos gatos num saco e os lançam ao rio e também quando no apuramento de uma raça se escolhem os que vivem e os que morrem.
Na minha juventude vi cães morrerem com a febre da carraça ou gatos afogados no poço do quintal e fiquei traumatizado. Meu querido amigo Kiss!
Nunca cacei… nem sequer um pardal com fisga.
Uma vez, quando era criança acertei uma pedrada num pombo que estava no telhado. Rebolou e caiu de cinco metros de altura. Ficou de papo para o ar. Corri, aflitíssimo, para o local da queda mas suspirei aliviado, ao vê-lo pôr-se e pé e esvoaçar para longe.
Poderia ficar aqui muito tempo a contar histórias que pelo menos indiciassem o meu respeito pelos animais e pelo repúdio às touradas, ao tiro aos pombos, aos safaris e até mesmo ao sofrimento dos galináceos que amontoados uns sobre os outros nos aviários, engordam para engordar os proprietários.
Possivelmente já me terei alimentado de plâncton, a seguir fui granívoro, depois herbívoro e a lei da sobrevivência determinou que me tornasse carnívoro, até que, por fim, acabei por ficar omnívoro. Não sou culpado desta evolução. Os caninos cada vez menos desenvolvidos podem significar que estamos numa fase de regresso ao passado? Todavia, como o comprimento do intestino delgado não tende a aumentar para se equiparar aos herbívoros, para onde caminhamos nós nesta incontida evolução. Será que voltamos a voar? A respirar por guelras?
Que nova ordem é esta dos vegetarianos? Porque não herbívoros? Será porque têm pés e burros têm patas? Uns têm pescoço e os outros cachaços? Uns têm costas e os outros lombos?

 Resumindo: se algum dia resolver comer só ervas e sabendo que não me safo de ser carnívoro se comer ovos estrelados, eu não quero ser vegetariano, quero ser herbívoro como os outros animais meus irmãos.
Estamos numa de racismo ou quê?

 Já tenho preparado para o jantar um bife do pojadouro que não posso chegar à suave textura do lombo. Acompanho com batata frita e salada  de tomate.
Será que não respeito os seres vivos?
Então o que são os tomates, as batatas e as beldroegas?
Não são seres vivos?

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O Conto


                                                                                 O CONTO    



"Ingénuo, tem conta de ti!
 No mundo há muitos enganos
(Eu o sei, porque os sofri);
Os bons padecem mil danos
Julgando os outros por si."
                                   Bocage

Com o tempo o vocábulo patrão será um termo pejorativo. Virá o dia em que chamar patrão ao empregador constituirá justa causa para despedir o trabalhador.

O empregador fica todo ofendido quando alguém fala de trabalhadores e o trata como se ele também não o fosse. Será, mas o primeiro dos seus trabalhos é comprar trabalho o mais barato possível para o transformar em algo que lhe faça crescer a conta bancária. Claro que também se preocupa com o mercado e também tem um trabalhão para se ver livre dos trabalhadores excedentários mas de um modo geral tem ao seu serviço trabalhadores para essa especial missão.

Creio que as relações de trabalho não mudaram na sua génese devido à alteração e sofisticação dos processos que foram sendo introduzidos no mundo laboral.

Como as batatas e a sardinha o preço do trabalho sobe e desce com base na teoria de que o Mercado se autorregula. Autorregular-se até nem seria muito grave se o preço do trabalho não estivesse sujeito à mesma a lei.

Aí temos agora, um tsunami na Europa, que austera e friamente vai reduzindo os direitos conquistados pelos trabalhadores a que ardilosamente chamam privilégios e regalias.

Com a taxa de desemprego que existe, o preço do trabalho está pela hora da morte para uns mas é uma mina de ouro para outros.

Quando leio o anúncio de uma mulher que troca o trabalho apenas por comida para alimentar os filhos, ou de emigrantes clandestinos que no fim de um mês de trabalho ainda devem três euros ao patrão, ou ainda da existência de sites em que os desempregados se oferecem para ser comprados pelo melhor preço, fico plenamente consciente de que não existe grande diferença entre as casas de conto e as praças de jorna dos tempos idos.
A sofisticação mascara a realidade!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A Biga



 Para mal dos nossos pecados já todos sabemos que a troika é um conjunto de três abutres que a soldo do FMI, BCE e Comissão Europeia vêm meter o nariz onde nunca deviam ter sido chamados. O etíope, o careca e o alemão, como já alguém os apelidou, desembarcam a miúde no nosso país para investigar onde gastamos o dinheiro e aconselhar o governo a cortar aqui e ali, mesmo que isso represente a fome, a miséria e até a morte de muita gente.
Mas nem todos saberão que embora troika tenha hoje o significado de “grupo de três pessoas ou entidades reunidas para um mesmo fim”, na verdade troika, no “princípio do princípio”, como diria um anónimo filósofo chinês, deriva do nome dado na Rússia a um carro puxado por três cavalos.
Quando um dias destes o nosso presidente, que podia muito bem ter travado o processo levantado a um cidadão malcriado que não conseguiu conter a indignação por tanta desgraça na sua vida, resolveu por si ou aconselhado por algum elemento da sua bateria de conselheiros, mandar o FMI prá urtigas, dei comigo a pensar, como se iria chamar o grupo de dois que ficaria de olho em nós.
Um carro puxado por quatro cavalos, sei eu que é uma quadriga, pelo menos desde que vi o Ben Hur na minha longínqua e despreocupada adolescência. Seria o cúmulo se tivéssemos 4 cavalos em vez de 3, perdão…, quatro inquisidores, a congeminar e determinar o nosso orçamento. Por essa razão achei que a sugestão/ameaça do nosso presidente tinha toda a razão de ser. Ficariam então só dois cavalicoques a enfiar o nariz nos papéis o que facilitaria o acordo mútuo, abreviando deste modo a sua estadia em hotéis de 5 estrelas, e aliviando a rúbrica destinada às favas dos respetivos orçamentos.
Chegado a este ponto pensei em pedir a um amigo deste grupo (que não seja macambúzio) para me informar sobre o nome dado a um carro puxado só por dois cavalos ou o que pelos vistos tem o mesmo nome, a dois beleguins do capital financeiro.
Mas a Net não falha. Talvez existam outros nomes para semelhante veículo, de turismo. O de combate serve perfeitamente e só não me esbofeteio por não ter pensado que se quadriga são quatro uma biga são dois. O veículo podia ser bípede ou quadrúpede mas era biga com certeza.
E, deste modo, os jornais avisariam em título de primeira página:
Desembarcou hoje no aeroporto a biga que vem fazer a oitava avaliação.