segunda-feira, 1 de julho de 2013

Os sindicatos e as greves


Começo a ter a sensação de que me estou a esvair com as tentativas que faço para compreender o que se passa neste país. A aldrabice é pegada, as metas definidas e anunciadas são fracassos que se apressam a explicar com mais promessas e mais mentiras.

O PM, numa tirada infeliz e reveladora do pouco cuidado que tem quando abre a boca, diz que o país precisa menos de greves e mais de trabalho. Toda a gente concorda, principalmente as centenas de milhar de desempregados, e todos os que solidariamente não se conformam com a desgraça de quem perde a casa, vende o carro, recorre aos bancos alimentares e passa a viver da caridade de familiares e amigos. Claro, e
também aqueles que acham que o mercado controla tudo, incluindo a corrupção.

Venha ele, o Trabalho!

Políticos de todos os quadran-tes, críticos profissionais e amadores aparecem em cata-dupa nas pantalhas dos televisores para esclarecer o povo, mas só conseguem criar mais confusão. Penso que eles só usam os canais de comunicação para mandar recados uns aos outros.

Há dias num certo programa de televisão falava-se sobre a última greve geral. A senhora convidada, que não sei quem é, opinou em modos brandos sobre a adesão à greve, sobre as divergências de adesão emitidas pela CGTP e pela UGT. Quando o moderador deu a palavra a uma besta que estava do outro lado da mesa ele entrou assim:

- Não foi uma greve geral, foi uma greve banal.

Daqui, partiu para uma série de considerações sobre greves e sindicatos que nunca julguei ser possível - já não se justifica a existência de sindicatos, o mundo mudou, são outros os paradigmas e as greves deviam ser abolidas – despejou de um fôlego.

Sei muito bem que muita gente que anda neste mundo à procura de passar pelo intervalo da chuva não se importa que os outros fiquem encharcados desde que ele fique seco, tão seco como a sua sensibilidade perante a desgraça alheia.

Será que alguém pensa que o art.º 55 da Constituição deve ser apagado, mesmo que na UE todos os países contemplem este direito? Pelo modo como falam parece que sim, mas creio que é apenas o desconhecimento histórico da importância que o sindicalismo teve na luta pela dignificação do trabalho.

Em 1974 fecharam os grémios. Os grémios eram associações corporativas que não tinham lugar numa sociedade democrática. A grande maioria dos sindicatos existentes era controlada pela ditadura vigente. Acontecia normalmente nas reuniões da OIT os três representantes portugueses, do governo, do patronato e dos trabalhadores votarem em uníssono nas propostas apresentadas, o que causava alguma chacota nos plenários.

Os sindicatos tornaram-se livres e os grémios mudaram de nome – são agora confederações como CIP, a CAP, a AIP-CE ou a CTP.

Pergunto: Será que os sindicatos só podem existir se forem controlados pelo estado? Ou se aos sindicatos for imposta a proibição de medidas para defenderem os seus interesses?

Então experimentem…!

 
Nota: Claro que o termo grémio é usado noutras circunstâncias como no antigo grémio literário, ou no Brasil, onde se escreve grêmio, para definir a maior parte dos clubes desportivos.

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