terça-feira, 17 de novembro de 2009

Oremos!

Rezar, rezar, rezo eu todos os dias, quando confrontado com as inconformidades duma sociedade onde os melhores valores humanos vão perdendo significado como se essa fosse a evolução natural do homem.
Vale tudo!

A palavra dada deixou de ser certificado de garantia; a tramóia engendrada entre duas bicas à mesa do café passou a ser um negócio respeitável; as falências, que antigamente, originavam suicídios por desonra, são agora programadas e aconselhadas;
o conto do vigário está de boa saúde; o canto da sereia ganha discos de platina; a história do "lá vem o lobo" deixou de fazer sentido porque a mentira já tem peso positivo no currículo das pessoas e cada um por si, procura "passar a perna ao seu semelhante.

E por isso rezo. Não orações, mas resmungos. Entre dentes... de raiva.

De raiva por ver que em pleno século XXI a ignorância e a simplicidade de um mar de gente ainda é suficiente para alimentar exércitos de vigaristas que sem qualquer pejo, abordam as pessoas com a mais seráfica máscara que conseguem afivelar, para lhes sacarem os últimos tostões que têm na carteira.

Aparecem por todo o lado, entram em tudo que é sítio fazendo promessas, não só de salvação eterna e lugar no paraíso, mas principalmente de sucesso, riqueza e luxo nesta vida, agora, já.

Até já passam certidões de garantia!

A.M.

domingo, 15 de novembro de 2009

Filmado em África, Amazónia, Croácia e New York. Emocionante!

Conheceis este canção de Michael Jackson?

O vídeo é do single de maior sucesso de Michael Jackson no Reino Unido, que não foi nem "Billie Jean", nem "Beat it", e sim a ecológica "Earth Song", de 1996.

Dizem que não foi editado nos EUA.

Por vergonha?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A proliferação de seitas

Os católicos chamam-me ignorante por não acreditar em Deus.
Porque odeio os livros, porque não tenho capacidade para entender o que está escrito nos manuais religiosos, porque sou teimoso como um burro, porque sou preguiçoso e nunca me preocupei em averiguar, estudar, aprofundar e vasculhar as bibliotecas á procura da verdade suprema, que numa simples equação me demonstre a razão da minha existência, sou considerado um náufrago mergulhado até ao nariz no mar da ignorância.
Não façam ondas!

Depois batem-me à porta as testemunhas de Jeová, tentando salvar-me a alma. Vêm regularmente. Eu pergunto-lhes se não têm um ficheiro onde eu esteja catalogado como ateu para evitarem a caminhada até à minha porta, mas eles respondem que, entretanto, eu posso ter sido atingido por um raio de luz que fragilize o meu estado de não crente.
Um desses apóstolos, que por acaso também era bombeiro, ainda sugeriu que na hora das aflições é que a gente invoca Deus e vai de me contar alguns episódios da sua longa prática assistindo sinistrados em acidentes rodoviários.
Como isto se passa “vis à vis” não há insultos, mas calculo que ao virar da esquina já vão comentando sobre a minha ignorância.

Também sou uma grande besta por não acreditar nas naves espaciais que circulam pela nossa atmosfera, carregadinhas de extraterrestres que vigiam e zelam pelas nossas vidas às ordens de Ashtar Sheran, Comandante da Frota dos Homens do Espaço.

Das discussões neste espaço sobre o celebérrimo Allan Kardec e o Espiritismo também levei umas bordoadas de um nosso amigo que mais tarde tivemos o prazer de conhecer pessoalmente e verificar que afinal era uma pessoa igual à gente. Que lhe terá acontecido? Gostava de revê-lo no próximo convívio.

Temos agora a Grande Fraternidade Branca, cujos mestres nos querem ensinar a assumir a nossa espiritualidade. Como parece que ainda não têm uma sede, precisam de caroço para se organizar. Somos deste modo solicitados para comprar alguns dos seus vários produtos que nos permitirão progredir na compreensão dos ensinamentos dos “Mestres Ascensos” e da importância da “Chama Violeta”.
Temos na montra das compras o livro “Razão de Viver” da psicóloga alquimista Maria Lúcia Vieira; o livreto de orações “Comandos de Luz”; “Japa-Malas de cores diversas; uma imensa variedade de CD’s sobre as 108 “Ave Marias” e “Pai Nosso” e até nada mais do que 25 mantras, para além de um variado stock de músicas alusivas a este ramo da espiritualidade. Branca com alguns laivos violetas.

Confesso que não tenho tempo e se o tivesse também não teria disposição para me embrenhar em mais redes da nebulosa místico-esotérico, redes que nascem um pouco por todo o lado mas principalmente na América do Sul e também na do Norte.
O Brasil deve bater todos os recordes.

Pronto!
Atirem agora. Já instalei a defesa anti-aérea.
A.M.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Corrupção

Alguns amigos simpatizantes do partido que ganhou as últimas eleições legislativas sem obter maioria absoluta, teceram aqui alguns comentários criticando toda a oposição por tender a obstaculizar a aprovação do programa do Governo que será votado na Assembleia.
Foram culpados, segundo dizem, por não quererem fazer coligações, nem acordos de qualquer espécie, que permitisse ao PS, a quem os eleitores retiraram a maioria, governar o país como se a tivesse. Não sabendo - parece que ninguém sabe - o que se passou nas reuniões promovidas pelo Sr. Primeiro Ministro, partiram do princípio que rejeitaram óptimas propostas e algumas cedências para integrarem o executivo.
Orgulhosos, é o que eles são! E mal agradecidos.

O nosso sistema político está organizado por partidos como está definido constitucionalmente. Cada partido elabora os seus programas e sujeita-os a sufrágio popular. Se alguns são parecidos, há outros muito divergentes. Por mais obsoletos ou inexequíveis que sejam, se tiverem apoio popular que permita eleger deputados, podem, mas não devem, rasgar os compromissos que assumiram.
Tudo bem, nunca serão governo, e a única hipótese que lhes resta é poderem ser úteis para impedir que governos minoritários façam o que lhes apetece.

Depois, temos ainda um outro aspecto a considerar.
Sou defensor de pactos de regime em matérias como a educação, as obras públicas ou a saúde, para evitar os custos nos recuos, anulações de contractos, mudanças de política nalguns sectores, que acabam sempre por recair sobre os pobres contribuintes. Não tem pés nem cabeça que depois de alguns milhões gastos em estudos de projectos, venha um governo alternativo e anule tudo para aplicar a sua alternativa.
Acontece que os partidos que se têm alternado no poder são o PS e o PSD pelo que devem ser eles a estabelecer pactos de regime. Não tem pés nem cabeça fazer pactos de regime com quaisquer outros partidos da oposição. Ou tem?

Depois de algumas leituras feitas neste espaço creio que posso concluir que existe um largo consenso sobre os malefícios da corrupção entre os simpatizantes dos diversos partidos políticos. Se isto se passa no meio de grupos sociais tão heterogéneos como este, porque razão existe tanta reticência nos diversos governos que se têm alternado no governo em aceitar propostas que possam combatê-la?

E agora, já foi entregue outra na Assembleia, por deputados de uma minoria acusada de obstaculizar este governo.
Será que Sócrates, tendo-se exaurido a oferecer lugares e a fazer cedências aos partidos da oposição em reuniões à porta fechada, estará agora disposto a aceitar e a discutir esta proposta, dando, então sim, um sinal claro do seu interesse em fazer acordos.
Sim, porque um acordo, neste contexto, significa: harmonia de vistas, concordância colectiva, conformidade. O que implica cedências de parte a parte.

Houve algumas? Ora digam cá.
A.M.

domingo, 1 de novembro de 2009

Ena tantos gigas de triliões de Quilómetros!!!!

O Telescópio Espacial Hubble numa órbita a cerca de 600 km da Terra, vai observando o Universo usando comprimentos de onda que vão dos ultra violetas aos infravermelhos.
A melhor fotografia feita por este telescópio mostra a galáxia do Chapéu
(M104).

Situa-se a 28 milhões de anos luz do nosso sistema solar.

1 ano luz representa:
9.460.000.000.000 km

Deste modo esta galáxia está a: 194.880.000.000.000.000.000 kms da Terra.

Caramba! Definitivamente não vou discutir problemas passados há 2000 anos.

E não me importo que me desanquem pelo meu ateísmo.

Perante esta enormidade eu nem sequer existo!

A.M.

sábado, 17 de outubro de 2009

Livralhada

Não é todos os dias que um Conde, colocado a meio da tabela hierárquica da nobreza, se digna comentar um electricista metido a encadernador. Ou será que um curto-circuito te danificou a instalação.
Aqui tens a situação sob a forma fotográfica. Está no topo.
Só lhe falta meter os arreios na lombada, (tal como os outros) mas como te disse não estou apto para fazer esse trabalho. Na primeira oportunidade tratarei do assunto. Tem calma.
Abração,
A.M.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sobre a amizade - Uma curta reflexão

Nunca me passou pela cabeça pegar numa picareta e numa pá e desatar a cavar à procura de amigos. E conhecendo a lenda de Diógenes também não vou de lanterna acesa em pleno dia à procura deles. Não uso armadilhas para os caçar ao virar da esquina, nem possuo, sequer, qualquer manual que me ensine a conquistá-los.

A amizade é sempre espontânea. Solidifica-se com o tempo. É um afecto que não está sujeito a vicissitudes. A franqueza, lealdade, confiança e compreensão estão sempre presentes, mesmo entre pessoas de temperamentos, culturas e opiniões diferentes.

A amizade, contudo, muito dificilmente escapa à poluição de sentimentos.

Numa tentativa para esclarecer algumas dúvidas que possam existir no espírito dos residentes deste espaço que tive o enorme prazer de contactar pessoalmente distingo uma das seguintes citações:

De Lincoln: “Amigo é um homem que tem os mesmos inimigos que nós.”

De H. Hubbard: “É uma pessoa que nos conhece a fundo e que, apesar disso, nos estima.”

Creio que a conduta que tenho usado desde que entrei neste espaço desvendará facilmente que discordo de Lincoln e apoio com energia a definição de Hubbard.

A.M.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um peixe chamado Juliana

Título:
Um peixe chamado Juliana

Este era o título de um artigo no Ípsilon, suplemento do Público.
A primeira coisa que me veio à caixa do encéfalo foi a sopa Juliana. Em primeiro lugar porque gosto muito de sopa e desta em particular, mas também por ter lido qualquer coisa a respeito da origem deste nome para baptizá-la.
Segundo consta foi um cozinheiro francês que a inventou tendo resolvido apelidá-la com o nome da vila onde morava o seu patrão – Julienne.

Afinal para além da sopa também temos o peixe. Mas desta vez é o articulista a apelidar a cantora lírica Juliana Snapper de peixe. A referência é óbvia dado que ela se prepara para cantar na piscina do Clube Fluvial Portuense, acompanhada por cerca de 60 figurantes em “You Who Will Emerge from the Flood”.

Adivinho que vai ser um espectáculo memorável e tenho muita pena de morar tão longe.
Aconselho os meus amigos do norte a estarem presentes e, caramba, parece que só se pagam 5 euros da entrada.

Depois mandem notícias comentando o evento.

Prevejo que a célebre letra “foi um peixinho do mar que me ensinou a nadar”, vai passar a ser “foi um peixinho do mar que me ensinou a cantar”.

Sem complexos, claro está!
A.M.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

O regresso das melgas

Caro Adriano Pedro,

Ao falar de cavernas e esconderijos teleguiou-me para Luanda, 1966.
Ocupando as minhas folgas de serviço com a leitura, adquiri ali muitos livros, entre os quais a Campanha Alegre I e II, que entretanto estou em vias de abater ao meu espólio dado que parece não ser possível reavê-los da pessoa a quem os emprestei.
Eça de Queiroz, numa das suas mais conhecidas e verrinosas críticas, comenta os diversos textos publicados na imprensa da época sobre a visita que D. Pedro II do Brasil fez a Alexandre Herculano, que vivia na sua quinta de Vale de Lobos.
Diz:
“Sua Majestade Imperial visitou o Sr. Alexandre Herculano. O facto em si é inteiramente incontestável. Todos sobre ele estão acordes, e a História tranquila.

No que, porém, as opiniões radicalmente divergem - é acerca do lugar em que se realizou a visita do Imperador brasileiro ao historiador português.

O Diário de Notícias diz que o Imperador foi à mansão do Sr. Herculano.

O Diário Popular, ao contrário, afirma que o Imperador foi ao retiro do homem eminente que...

O Sr. Silva Túlio, porém, declara que o Imperador foi ao Tugúrio de Herculano; (ainda que linhas depois se contradiz, confessando que o Imperador esteve realmente na Tebaida do ilustre historiador que...)

Uma correspondência para um jornal do Porto afiança que o Imperador foi ao aprisco do grande, etc.

Outra vem todavia que sustenta que o Imperador foi ao abrigo desse que...

Alguns jornais de Lisboa, por seu turno, ensinam que Sua Majestade foi ao albergue daquele que...

Outros, contudo, sustentam que Sua Majestade foi à solidão do eminente vulto que...

E um último mantém que o imperante foi ao exílio do venerando cidadão que...

Ora, no meio disto, uma coisa terrível se nos afigura: é que Sua Majestade se esqueceu de ir simplesmente a casa do Sr. Alexandre Herculano!”

Na verdade, caro Adriano, para evitar as melgas e a sua infecciosa “injecção” não há retiro que nos salve. Só há uma solução. Colocar mosquiteiros em portas e janelas de nossas casas para impedir a sua entrada. Se alguma conseguir passar por descuidada frincha, ter à mão um bom insecticida, é aconselhável.
Como sabe a melga é animal hematófago e se lhe faltar paparoca, fenece e morre naturalmente.
Vá por mim!

PS. Já me esquecia. Saindo à rua devemos fugir de pantanais ou poças de água putrefacta. Corremos o risco de levar bicada. O Fenistil é óptimo para esfregar na parte ferida. Agora até existe sob a forma de batom. Muito prático.


domingo, 4 de outubro de 2009

C'um catrino!

Cafarnaum?
Porquê?
Porque sendo uma das mais prósperas cidades da Galileia, colocada num extraordinário ponto estratégico, foi escolhida (usada) para instalar o principal ministério Jesus Cristo.
Os mais extraordinários milagres foram ali realizados!
Caramba!
Até um ateu se comove com a ressurreição da filha do chefe da Sinagoga.

C’um catrino!

Agora, passados mais de sessenta anos, dá-me para esta desafogo, pronunciado amiúde entre a moçada do meu tempo, quando era surpreendida por algum acontecimento.
- Ena, c’um catrino, que belas pernocas tem a professora de português!

Hoje, contudo, apetece-me averiguar o que é esta coisa de catrino, quanto mais não seja porque o género oposto, embora com K, foi dado a um devastador furação.
Aliás, levei muito tempo a interrogar-me a razão de darem nomes femininos aos furacões (termo do género masculino, cujo feminino o Marquês de Sade não desdenharia usar como cognome), até que li uma explicação (creio que num blogue): “Porque quando chegam, são selvagens e molhados, e quando se vão, levam sua casa e seu carro junto.”

Nas Beiras, “catrino” é um eufemismo para diabo. Mas também para termos incisivos ou pornográficos.
Ou seja,”c’os diabos!” é a exclamação equivalente. Mas também o é, “isto é que está um car…!”
Aliás, mais acima, em Trás-os-Montes, catrino é usado em lugar do palavrão que ficou aí, seguido de três pontinhos.

Catrina é uma roldana, o que, dada a sua forma redonda com um buraquinho no meio se conjuga muito bem com o catrino transmontano.

Mas c’um catrino, porquê?

Por causa de me ver obrigado a usar o Cafarnaum para oferecer a minha janela em Blogues do Leitor a quem não teve a sorte de passar por ali na mesma altura.
Com todo o carinho,
A.M.