quinta-feira, 6 de junho de 2019


Antissépticos como alternativa para a Europa

Toda a gente gosta de dizer coisas, inclusivamente há gente que gosta de dizer que os outros gostam de dizer coisas.

Acontece que Ferreira do Amaral, como economista que é, e eurocético que sempre manifestou ser, também tem uma opinião sobre a nossa adesão à Europa. Como moderado  aconselhou que nos devíamos preparar para uma eventual saída do Euro.
Do que me lembro, eu que já sinto os neurónios a patinar, é que entramos para a Europa pela mão de Mário Soares, com a promessa de convergência - mais cedo ou mais tarde íamos ter um nível de vida idêntico aos países mais desenvolvidos – e aplaudimos.
Passados tantos anos dessa data continuamos na cauda da Europa, com o salário mais baixo, com o leque salarial mais dilatado e com um clima de corrupção que nos coloca no topo dos mais corruptos.
Ferreira do Amaral entende, que dada a nossa fragilidade económica, se Trump, Merkel, Putin e Macron espirrarem cada um por si ou, ainda pior, em uníssono, mergulhamos numa crise de tal ordem, que cairemos numa crise profunda se não tivermos um plano “B” para a suportar. Não fujo á regra: Também gosto de dizer coisas.
E disse.
Nota: Se a Europa resolver comprar armas aos americanos para satisfazer as ideias de um louco, que procura criar um ambiente de guerra fria, para satisfazer o loby armamentista que o apoia, a Europa que se escafeda… porque eu vou ali… e já venho!

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Facebook, para que te quero?

Mark Zuckerberger inventor, fundador e dirigente desta plataforma acredita que a “humanidade progride quando consegue abater as divisões sociais e geográficas a fim de formar comunidades morais cada vez mais amplas”. Concordo.
A minha dúvida é que Facebook tenha vindo a contribuir para o desenvolvimento dessa “humanidade”. O próprio Mark entende que se outras forças não colaborarem para esse objetivo, o Facebook não o poderá fazer sozinho.
Que outras forças?
Os coletes amarelos usaram esta e outras plataformas para desencadearem um movimento de contestação. Macron propõe uma lei anti agitadores que entretanto a maioria parlamentar já aprovou e confiou também ao exército a manutenção da ordem.
São forças deste tipo que podem ajudar o Face a cumprir a missão a que se propõe o seu fundador?
Por outro lado o “Face” lançou no fim do ano passado a aplicação Dating. Efetivamente existe aqui a intenção clara de contribuir para o acasalamento. Recordo-me que antigamente encontrávamos a nossa/o cara-metade na escola, nos bailaricos, em casa de amigos, no trabalho, agora pode-se arranjar parceira/o ao abrigo da coscuvilhice familiar, o que aterroriza a maioria dos pais. Será essa uma evolução no bom sentido?
Eu não sou saudosista, mas tenho saudades dos bailaricos, onde até era costume levar as damas ao bufete. Por acaso nunca levei nenhuma, porque andava sempre liso e como era amigo do “mestre sala” ela avisava-me:
- Vou chamar damas ao bufete, aguenta, não dances agora.
Querem mais humanidade do que esta?




Recapitulemos.

Muita gente continua a afirmar que antigamente é que era bom. Aqueles que ainda sobram do antes do 25 de Abril de 74 e já são uma minoria (oh pra mim) devem sofrer de amnésia ou tendo perdido alguns privilégios tomam a parte pelo todo e lamentam-se de uma forma semiautomática, tal como eu quando perante um caso bicudo não evito o “ai valha-me Deus”.
Os mais novos que nasceram durante ou depois dessa data ou não foram devidamente informados ou, o que é mais grave, foram formatados pelos mais velhos, e não tendo o “bichinho” que nos empurra para esclarecer e investigar, ficam quadrados.
Estas afirmações surgem quando ocorrem alguns casos, de que é exemplo a corrupção, que, neste lindo e primaveril Abril, floresce por entre os meandros das redes familiares produzindo extensos e belos jardins de múltiplas espécies vivazes.
É nesta altura que uns e outros (acima referidos) dizem:
Antigamente isto não acontecia.
Ora bem, tendo tomado conhecimento, através de investigações recentes feitas por laboriosos historiadores, de que o Marquês de Pombal desviava água do aqueduto para ele e para os amigos (os familiares não são referidos) dei comigo a pensar que no século XVIII não havia Felícias, Vieiras, Carvalhos e Anas (leais ou mesmo desleais) porque também não havia o Independente, o Jornal do crime, o Correio da manhã e a TVI que os pudessem alimentar.
O meu “foco” (desculpa lá ó Vitória) é informar que antigamente os poderosos da política e os seus amigos não eram anjinhos, quanto mais serafins e não evitariam mandar para a fogueira os agentes investigadores e delatores.
Ao ver a sanha com que os políticos se atiram uns aos outros, a qual só é comparável com aquela com que mutuamente se atiçam os comentadores de futebol nos inúmeros canais de televisão durante horas a fio, lembro-me de um caso que o meu avô nos contava.
Um seu vizinho tinha dois cães que passavam o tempo a lutar e a morder-se. Um dia, incomodado com a barulheira fechou-os num barracão que tinha no quintal. Só quando regressava do fim-de-semana passado na praia, se lembrou que os tinha enclausurado. Quando chegou a casa foi abrir a porta do barraco e os cães tinham desaparecido. Concluiu, então; que se tinham comido um ao outro.
Que tal fecharem os atiçados mais os atiçadores no Campo Pequeno?
Pode ser que se comam uns aos outros e possamos, por fim viver em paz!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019


No reino da especulação

    Quando tinha tempo para ler jornais reparava que muitas vezes, demasiadas vezes, os títulos das notícias não correspondiam ao seu conteúdo. Como agora só tenho tempo para ler os títulos, o melhor é não os ler.
    Mas aqui no "Face" tenho oportunidade de reparar que a senda da especulação noticiosa continua fulgurante, procurando agarrar o leitor/cliente, compondo títulos com cargas emotivas que falseiam o acontecimento relatado.
    Este é um dos exemplos:
    Título da notícia no diário “Publico”: “Portugueses já consomem mais álcool do que os russos”.
    Ora bem, aquele “já” encaixado à martelada transmite imediatamente a ideia que passámos a beber mais do que bebíamos e ultrapassámos os russos.
    A verdade é que bebemos menos do que bebíamos (pouco menos, é certo) e os russos é que passaram a beber bastante menos.
    Logo, um título honesto seria, por exemplo:
    Os russos já consomem menos álcool do que os portugueses.
    Agora, vou ali ao lado comprar umas cervejolas, que o meu stock está quase a zero, enquanto aguardo que apareça uma imagem que questione porque os portugueses bebem tanto.

sábado, 19 de janeiro de 2019



    Onde irá este Rio desaguar?

   Um colega d’armas agradece-me o tempo que dediquei a falar do seu partido. Desprezando a ironia, de que também me abasteço com alguma frequência, acrescento que só não dou atenção a tudo o que se passa à minha volta porque os media me baralham e distraem com superficialidades, que diga-se de passagem estão a transformar a sociedade num “molho de brócolos”.
    No caso em apreço, já estava deitado e preparava-me para contar carneirinhos, quando dei comigo a pensar nos motivos que poderiam estar na “tripardirazição” do PPD/PSD. 
    Dizem que é um partido plural e democrático. Plurais e democráticos também os outros são, com algumas “nuances” que os distinguem.
     Vejamos: 
  O PPD/PSD já fez 37 congressos em 44 anos.
  O PS fez 22 congressos no mesmo tempo.
  O PCP fez 20 congressos, mas em 96 anos.
  Será que 44 congressos são sinónimo de pluralidade e democracia?
  E a unidade? O que é? Acaba ela quando os interesse particular de cada um dos membros se impõe?
  Aceitar a vontade da maioria é antidemocrático?
  Tá bem, abelha!

sábado, 5 de janeiro de 2019

A coisa já vem de longe…




Trindade Coelho um escritor português com algum mérito, distinguiu-se no conto rústico por mor da sua infância passada em terras transmontanas. Também escrevia crónicas para jornais de província e até para o “Jornal da Manhã” do Porto e o “Diário Ilustrado” de Lisboa.
Formado em direito pela Universidade de Coimbra exerceu advocacia e fez vários concursos para a magistratura onde entrou, segundo ele próprio escreve, pela mão de Camilo Castelo Branco.
Foi ao ler o seu conto “Idílio Rústico” que deparei no prefácio com a transcrição do seu agradecimento a Camilo:
“Mas um dia de manhã recebo uma carta de Camilo Castelo Branco, o grande escritor, que eu nunca tinha visto, nem ele a mim: dizia-me que vira nos jornais que eu fora a concurso, e que escrevera ao ministro, pedindo-lhe que me despachasse!
Caí das nuvens! Mas daí a poucos dias estava efetivamente despachado delegado do Procurador Régio do Sabugal, e eu ia ao Minho visitar o grande escritor, vê-lo pela primeira vez (primeira e última) e beijar-lhe as mãos pelo seu grande favor”.
“Put in a good Word” é uma coisa que antigamente até se confessava publicamente.
Porque será que hoje se esconde?




segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Eu, tu, ele e NOS

   Neste preciso momento, estou a sentir-me ludibriado. Chega-me esta publicidade, que não sendo enganosa para os novos assinantes, me relega para um plano inferior, deixando-me a pagar mais pelos mesmos serviços, a mim, que, no que diz respeito a fidelizações, peço meças. 

   A minha intenção imediata é dar-lhes com os pés, as pantufas ou os cascos, mas como sei que a concorrência procede de igual modo (vale tudo menos tirar olhos/ cada um ao seu e todos ao mesmo) fico-me... fico-me, meio aparvalhado sem saber o que fazer.
   Fujo para uma ilha deserta? Se tivesse um "Sexta-feira" para todo o serviço, era canja, até ia a nado. Por isso resta-me ir dar uma volta ao quarteirão, respirar fundo, pontapear a garrafa de plástico no meio do passeio ou mesmo soltar um profundo uivo canino para desintoxicar o "plexus".
À noite, durante o sono, o problema será estudado e ao acordar terei na mesinha de cabeceira o plano para enfrentar a situação.
   Por agora, fico-me.

sábado, 25 de agosto de 2018

“A minha alma está parva”


   Juro pela minha honra que a primeira vez que ouvi a expressão “a minha alma está parva”, foi da boca da minha mãe, lá para os anos quarenta do século passado. Por isso não venha a Clara Ferreira Alves acusar-me de plagiar o título do seu livro porque é falso e mesmo que fosse verdadeiro, não tinha moral para me criticar. Como é evidente também não creio que tenha sido a minha mãe a autora; por certo era dito popular, que indicia enorme surpresa por qualquer acontecimento.
    O meu “amigo” das linguísticas, Orlando Neves, também não inclui no seu “Dicionário de Expressões correntes” qualquer alusão a esta frase.
    Deste modo vos digo que a minha alma está parva por saber que já circula pela net uma petição pública para se investigar uma coisa que já foi investigada e propagada nos media por um processo que se chama jornalismo de investigação. Mas afinal temos que fazer uma petição pública para obrigar o ministério público a fazer o trabalho que lhe compete.
    Deve andar por aí uma pandemia qualquer que baralha os neurónios aos seres pensantes. A pandemia "peticionária". Parem por favor.
    Eu assisti ao programa da TVI sobre a investigação da jornalista Ana Leal. Quando confrontados com as acusações que são feitas aos três principais autarcas de Pedrógão, o presidente Valdemar Alves, à vice-presidente Maria Margarida Lopes Guedes e ao vereador Nelson Fernandes, denunciam um comportamento deveras comprometedor. O ar absorto do presidente, o sorriso malévolo/trocista da vice-presidente e o silêncio do vereador perante os factos que lhes são imputados, meus amigos… são comprometedores.
    Mas, o que mais me entristece e indigna são os contornos destes atentados.
    O presidente Valdemar Fernandes foi inspetor da PJ e ali trabalhou com Moita Flores de quem era amigo. De tal modo que Moita Flores o levou como assessor quando se tornou presidente da câmara de Santarém. Valdemar Fernandes foi o candidato do PS nas últimas eleições mas já tinha feito um mandato anterior como candidato do PSD. É primo do Tomás Correia presidente da Associação Montepio que considera como um irmão, o qual esteve envolvido no velho problema das Colinas do Vale Meão em Coimbra. O caso já foi encerrado; era tudo legal, de moral e éticas irrepreensíveis.
    Mais um caso como tantos outros que em catadupa vão acontecendo no nosso país. Depois não há culpados. Os processos prolongam-se através de recursos e mais recursos, que acabam por alimentar a existência de tantos escritórios de advogados (só a Itália tem mais advogados per capita do que Portugal) com dinheiro que foi sonegado ao erário público pelos arguidos. Na Itália até se justifica por causa da máfia. Mas por cá? Onde andam eles?

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

A direita com o rabo de fora
    Afinal o ataque a Ricardo Robles era só por uma questão de incoerência. E era.
    O nosso Presidente acaba por vetar a lei que dava prioridade aos inquilinos na compra de casa.
Estivesse esta lei já em vigor, creio que Robles não se teria metido nesta negociata e metendo-se, corria o risco de ser preso. Não sendo aprovada permite aos críticos praticarem especulação sobre a venda de imóveis, com a enorme vantagem de, além da legalidade garantida, ser de absoluta coerência. É fartar vilanagem!
    Sou deputado e faço uma proposta para circular a 100Km nas auto estradas. Chumbaram-na.
Devo eu, por coerência, circular à velocidade que propus para não ser multado.
   Ou, por exemplo, proponho que se baixem os salários dos deputados e toca de ser chumbada logo à nascença ou mais tarde vetada pelo nosso presidente. Devo eu por coerência receber menos do que os outros deputados?
   Ora tomem! Segue manguito!
   PS – Já o meu avô citava um dito popular: “A moral é uma folha de couve e veio um burro e comeu-a.”
   Adormeci depois do almoço, enquanto esperava sentado, que deixassem de falar dos incêndios. Ainda comecei a contar o número de velhinhos entrevistados por este país fora, sobre esta onde de calor que ameaça bater todos os recordes. As televisões estão delirantes! Neste momento já existe uma competição para ver qual o distrito que ganha o título da temperatura mais elevada.
   Claro que não me alarmei porque a maioria dos velhinhos dizia que já estava habituada. As televisões, era notório, ficavam embaraçadas, o que elas queriam era filmar as velhinhas a arder… ena pá isso é que era um furo do caraças, para a estação e para o repórter.
   Acho que já estava acordado quando a locutora anunciou que, algures, estava a arder um eucaliptal, mas não tenho a certeza. Se calhar sonhei com o fruto dos eucaliptos que como sabemos é uma cápsula com válvulas, muito rija e irregular. Depois imaginei, ou sonhei que um colchão cheio com as cápsulas do eucalipto serviria muito bem para substituir a cama de pregos que os faquires usam para exercitar a sua resistência. Pim! Apagou-se!
   Só não revelo o nome da pessoa a quem ofereceria o colchão.