terça-feira, 25 de setembro de 2012

O Ministro do Interior


Quando se abre a boca deve-se ter muito cuidado. Se é para dizer asneira é melhor que entre mosca.
Só mais tarde, depois de ver a reação em cadeia que aquela frase, aludindo à fábula da Cigarra e da Formiga, provocou em todo o país, se apercebeu do disparate. Se fosse a Merkel a dizê-lo, ainda vá que não vá, pois só poderia ser acusada de meter a foice em seara alheia. Miguel vive nesta seara e logo ou é formiga ou é cigarra, ou seja, ou é preguiçoso ou é laborioso.
À noite, deitado na cama de papo para o ar, magicava num argumento, numa desculpa, que pudesse apresentar para alterar o juízo feito por todas as cigarras e formigas deste país.  

E descobriu, lá para as cinco da manhã, naquilo que lhe parecia ser uma boa explicação:
“Aquela declaração foi uma homenagem ao trabalho de todos aqueles que criam riqueza”

Ora os que não criam riqueza são cigarras. Os milhares de desempregados que nem comida têm para o dia-a-dia, quanto mais para abastecer a despensa são cigarras.
E os governantes que não produzem nenhuma riqueza mas apesar de tudo abastecem a sua despensa com o trabalho alheio serão formigas?

A tirada era bonita. Talvez até um dia venha a figurar no catálogo onde estão frases como esta: “Se soubesses o que custa mandar gostarias de obedecer toda a vida”.

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