quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O REGABOFE


 Surpreso, leio o título sobre a festa do Pontal no “Público”: Passos promete para 2013 o fim da recessão, mas não o do “regabofe”.
Leio outra vez. Não há dúvida: o regabofe vai continuar. O determinante da adversativa refere-se ao “fim” da oração principal; não encontro outra explicação.
Ainda admiti que o regabofe que ele prometia continuar se referisse à festa do Pontal, dado que ali sim, pelas imagens recolhidas é uma festa em que se come à farta.
Ataquei, então, o corpo da notícia e verifiquei que Passos estava inocente. O que ele disse foi diferente: “Ainda há quem pense que, passada a crise, o regabofe pode voltar”.
Afinal foi o jornalista responsável que elaborou aquele título. Devia ter mais cuidado para a próxima.
Afinal a que regabofe se referirá o nosso PM? Se o regabofe não volta é porque já foi de malas aviadas pela porta fora. E se não volta será que assistimos à última festa do Pontal?
Ou será um regabofe eu poder comer dois carapaus assados quando devia comer só um?

domingo, 29 de julho de 2012

O sétimo inferno

Com a chegada dos Jogos Olímpicos e da respetiva cobertura televisiva, esta governação vai sentir-se menos pressionada e já meteu uma cunha para, terminados estes, conseguir que alguém patrocine o regresso dos Jogos Sem Fronteiras, de preferência com a locução de Eládio Clímaco. As donas de casa e os desempregados já têm com que se distrair até à hora do almoço com a “Querida Júlia”, o “Verão Total” e o “Você na TVI”, programas que energicamente concorrem entre si ao prémio de “Melhor Serviço Público”. A chegada das férias também contribui para arrefecer o ânimo dos mais injustiçados pela crise económica. Por um lado as caras visíveis da sua aflição aparecem fugazmente nas pantalhas e, como diz o povo, quem não aparece, esquece; por outro, já tinham intuído há algum tempo, que as férias deste e dos próximos anos vão ser passadas em casa, com uma sardinhada ou um churrasco de costeletas do cachaço ao fim de semana. O nosso PM incentivou todos os seus colegas a passar as férias em Portugal, do género “ vá para fora cá dentro”, o que apesar de colocar algumas restrições aos planos da maioria deles, ainda lhes permite abandonar o seu poiso caseiro para irem até à Arrifana, Monte Gordo ou mesmo Porto Santo. O número de portugueses que há muitos anos passa o período de férias como se ele não existisse, ou de que ele só dá conta quando a gente importante da terra desaparece durante o mês de julho ou agosto, vai aumentando. Há quem diga que a única maneira de nos esquecermos das férias é acabar com elas, já que o respetivo subsídio foi à viola só com bilhete de ida. Quem se esteve marimbando para a solicitação do nosso PM foram, por exemplo, o Sporting, o Porto e o Benfica. Como se não existissem lugares aprazíveis, com ginásios, campos desportivos e demais mordomias no país em que ganham a sua vida, vão ajudar a economia de países em muito melhor situação do que nós. Ah! Fosse eu o CR7 e não gastaria um milhão no Seven de Vila Moura. Compraria um bilhete na próxima viagem à Lua… só ida.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

D. Odete

Já comecei a treinar. Quero estar devidamente preparado em janeiro quando entrar em vigor a lei que vai obrigar à emissão de faturas por todos os artigos comprados. Sou um legalista e não vou dececionar os meus superiores, que com tanto empenho e inteligência se esforçam para nos conduzir ao estado de divergência com os demais países desta desunião europeia.

Assim, logo de manhã fui ao café do Jorge. Bebi a minha bica e comprei o meu jornal.

- Jorge, passa para cá uma fatura, do café e do jornal, tá?

- Já contratei duas “fatureiras”, mas só começam a trabalhar para a semana. Como vê, só tenho dois braços e está o café cheio à espera de ser servido.

- Ok, estou só a treinar. Faço a minha obrigação.

Como hoje estão 101 milhões de euros à minha espera, pensei que era melhor ir ao seu encontro e passei pela tabacaria da esquina para entregar o meu palpite com os números que sonhei esta noite.

A menina Amélia fez o registo e devolveu o boletim com a respetiva fatura.

Aqui não é preciso pedi-la – pensei.

Mas será que serve para deduzir no IRS? – interroguei-me.

Já ia a caminho de casa quando me lembrei que a minha mulher me tinha pedido para comprar fruta e voltei para trás. Normalmente compro-a, (entre outras coisas), nas grandes superfícies, mas resolvi ir ao mercado que fica muito mais perto.

Peguei nos sacos de plástico que estão ali sempre à mão e escolhi meia dúzia de pêssegos amarelos, outra meia dúzia daqueles de roer, três nectarinas e três nabos. Pedi a D. Odete – sempre simpática – que me pesasse 250 gramas de azeitonas.

À medida que ia pesando a fruta ia apontando com um lápis de bico rombo os diversos preços num pequeno papelinho rasgado de uma folha de papel pardo. Somou depois as parcelas.

- São 4 euros e 35 cêntimos – informou.

Dei-lhe uma nota de 5 e enquanto fazia o troco, atirei maldosamente:

- Então, D. Odete, já sabe das faturas?

- Nem me fale disso! Eu nem tenho máquina!

    

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A balada da minha praia


 E uma infinita tristeza,
Uma funda turbação
Entra em mim, fica em mim presa.
... Cai neve na Natureza
E cai no meu coração.
Augusto Gil


Há-de chegar uma altura em que as pessoas sérias e honestas, se ainda as houver, terão que fugir a sete pés dos beleguins do governo. Têm ordem para nos prender e atirar a matar, se tentarmos escapar.
-Eh pá, quem te manda a ti, pregar regras de bom comportamento cívico? Não sabes que as teorias que defendes são subversivas? Estás preso e não vais apanhar menos do que 15 anos num campo de reeducação para aprenderes as novas regras de comportamento - diz-nos o chefe do bando captor.

Dizem que depois do dilúvio a terra será consumida pelo fogo. Cá para mim ela vai ser consumida pela corrupção conluiada com a sem-vergonhice, apoiadas pela falta de caráter e pelo egoísmo, que de freio nos dentes não para de se desenvolver ameaçando ocupar o diar da fraternidade universal celebrado a 1 janeiro de cada ano.
Os valores que no princípio do século 20 conduziam ao suicídio pela honra perdida, à vergonha de andar na rua, ao acabrunhamento e ao retiro da vida social, perderam-se vertiginosamente engolidas pelas sargetas num dia de forte chuvada.
Os escândalos aparecem em catadupa nos meios de comunicação. São os autarcas que continuam a gerir as suas câmaras mesmo depois de condenados, ou então são repescados para qualquer outro lugar economicamente compatível. Gestores públicos igualmente condenados ou oficialmente incriminados por gestão danosa, burla, aproveitamento ilícito, continuam a andar pelo mesmo passeio em que desprevenidamente passam os cidadãos sérios e íntegros.
São as fugas de informação que deviam ser salvaguardadas e aparecem na rua sem que alguma vez se saiba quem foram os faltosos, como acontece na justiça com os processos sob julgamento e nas escolas públicas com os exames.
Quando se poderia pensar que depois de 1974 os “canudos” só poderiam vir a ser adquiridos com muita aplicação e bons resultados, e não comprados por papás endinheirados, eis que assistimos a compadrios que permitem passar diplomas sem frequência nas matérias, ou obtidos de um ano para o outro em qualquer universidade (quase sempre privada).
Os cargos superiores de qualquer multinacional instalada em Portugal são preenchidos pelos candidatos com melhores médias nos seus cursos.
No Estado, os lugares são preenchidos pelo compadrio de uma falsa elite, que necessita de um Dr. ou de um Engº. antecedendo o seu nome próprio.
E assim, “step by step”, afundamo-nos, trágica e definitivamente!
A.M.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Mais do mesmo

Dizem que o português é língua muito traiçoeira. Eu sei que é, pois já uma vez, por prometer trazer “palha de Abrantes a uns amigos, quando fosse à terra, me vi em palpos de aranha para lhes explicar o equívoco.
Desta vez a traição da língua traz o folheto informativo do produto tal como aquele que vem dentro de qualquer caixa de medicamentos, pelo que, toda a gente pode ficar rapidamente esclarecida.

Vejamos então:

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social aprovou por três votos a favor e dois contra, uma deliberação na qual concluiu que Miguel Relvas não fez pressões ilícitas ao Público.
Se “ilícitas” está a adjetivar “pressões” é porque aquela entidade entendeu que de facto tinham existido pressões, dado que, se assim não fosse, bastar-lhe-ia ter dito que não tinham existido nenhumas pressões.
Tanto bastou para que o Ministro-adjunto esboçasse sorrisos de satisfação.
Nem o pormenor do resultado da votação ter sido de 3 - 2 lhe amarelou os sorrisos.

Vou esperar sentado que alguém nos venha explicar com clareza qual o ponto exato em que uma pressão deste tipo se torna ilícita.
Cá para mim este “ilícito cheira-me a colete salva-vidas” que apenas serviu para salvar o náufrago.
Nota: A composição do Conselho é outro assunto.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O perigo da interpretação especulativa


Onde é que estavas no 25 de Abril, perguntava o jornalista ao entrevistado.
Todos sabiam! Todos se lembravam perfeitamente do que estavam a fazer naquele momento.
Eu, porque a memória ainda não me atraiçoou, a não ser em pequenas coisas como por exemplo esquecer-me de comprar as cenouras que a minha mulher me pediu logo de manhã, também me lembro muito bem que naquela altura estava a dormir. Tinha...
que me levantar cedo porque o relógio de ponto daquela multinacional, registava diariamente todos os minutos de atraso e ao perfazer a bonita mas irregular soma de 7 horas e 33 minutos, deduzia automaticamente um dia de salário. Acho que só soube, quando esbaforido cheguei à fábrica. Eram precisamente sete horas e logo fui informado pelos meus amigos, que sofrem de insónias, do que tinha acontecido naquela noite.
Mas onde estava eu em 1920. Creio que uma parte estava num rapaz de 10 anos e outra numa miúda de 5 anos, que sem conhecerem o futuro, acabariam por se encontrar muito mais tarde e produzir a linda peça que eu sou.
Entretanto, nessa década, fugindo dos bolcheviques, Ayn Rand chegava aos Estados Unidos e além de outras atividades, como escritora e dramaturga, desenvolveu uma linha de pensamento filosófico que apelidou de objetivismo, e cujos pensamentos são hoje usados por toda a larga banda que cobre espetro político, para interpretar a seu favor as ideias expressas por Ayn Rand.
Uma delas é esta:
Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em autossacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”. Alguns dizem que ela falava com conhecimento de causa porque tinha fugido dos comunistas, outros dizem que ela tinha em mente o modelo capitalista de desenvolvimento do país que a acolheu.
Na verdade, passados que são cerca de 100 anos, eu, que tenho a mania de ser objetivo, gostava que me ajudassem a analisar este princípio produzido pela mesma autora:
Todo o indivíduo tem direito de viver por amor a si próprio, sem se sacrificar pelos outros e sem esperar que os outros se sacrifiquem por ele”.
Está tudo explicado!
A prova está na sociedade atual!
Quem foi que disse que temos de ser mais solidários?

sábado, 28 de abril de 2012

terça-feira, 24 de abril de 2012

DITADURA DEMOCRÁTICA

A coisa está a ficar feia!
A contestação à política económica do Governo vai crescendo.
Todos os dias, nos são exigidos mais sacrifícios com o argumento de que temos que cumprir as metas estabelecidas para reduzir o défice do país. De um modo geral a povo anónimo paga a fatura. Para acalmar as hostes, os responsáveis aproveitam todos os ínfimos índices de recuperação que se vão conhecendo para nos vir consolar:
 - Agora é que é! Estamos no bom caminho! Em 2015 já devolveremos 2% dos subsídios de férias e de natal e no ano seguinte talvez possamos subir a fasquia para os 2,5%.

O povoléu atónito, depois de ter sido ludibriado com a criação de 50 mil empregos do Sócrates, fica agora estupefacto por este governo ter criado algumas centenas de milhares de desempregados.

Seus burros! Vigaristas! Corruptos! Incompetentes! Traidores que se genufletem perante a barbárie saxónica! Vendem a pátria a retalho para amarrar esta e as próximas gerações a compromissos que impedirão a anunciada e celebrada convergência com os países do norte!
Escravos até ao fim, controlados por capatazes Miguelvasconcelistas a soldo dos donos deste mundo.
Criticar  é a liberdade que temos… por enquanto.
Aproveitada pelo poder político para, devido a este facto único, afirmar que se vive em democracia – a liberdade, ainda não sancionada, de se criticar a governação.
A crítica feita aos políticos que nos têm governado, mesmo que feita com alguma violência, banalizou-se a tal ponto que serve de almofada ao poder para afirmar que vivemos em democracia, sempre que alguma voz se levanta contra a espoliação de direitos adquiridos, o aumento de impostos e dos produtos de primeira necessidade, a flexibilização dos despedimentos, a redução das indemnizações por despedimento, o corte nos salários, o aumento das taxas moderadoras na saúde, etc., etc.
Quando um partido político se candidata à governação do país, faz promessas que não cumpre ou que até, pelo contrário, retira direitos ao povo, quem lhe pede contas? E de que modo pode fazê-lo? O tipo de democracia representativa, no qual os eleitos do povo deviam zelar pelos interesses dos seus representados, é uma fraude! Porque não uma democracia direta?

- Ah! Isso não! Ficaria impedido de fazer aquilo em que estava a pensar quando me candidatei mas que não podia enunciar para poder ganhar as eleições.

Temos assim que vivemos em democracia porque podemos protestar e por vezes com alguma violência, mas vivemos em ditadura, porque somos esmagados por medidas que nos retiram direitos ao mesmo tempo que o poder e os seus principais apoiantes – o capital – mantêm e aumentam os seus privilégios, fazendo aumentar a cada dia que passa o fosso entre ricos e pobres.
Ainda hoje um jovem (creio que de 16 anos) foi condenado a prisão, embora com pena suspensa por ter pirateado 3 músicas na internet.
Tivesse ele, como alguns ricos condenados, uma empresa de advogados a trabalhar por sua conta, e o Ministério Público ainda viria a ser responsabilizado pela atribuição de uma indemnização aos ofendidos por danos morais e materiais.
Democracia?
É?
A.M.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A corda está prestes a rebentar

No tempo em que havia produtos tabelados, dos produtos alimentares às fazendas e das alpergatas aos medicamentos, os consumidores não estavam sujeitos às surpresas a que hoje em dia estão sujeitos, e que podem provocar colapsos fatais nos corações mais sensíveis.
Por mim, já me estou borrifando. Não porque me seja indiferente que as surpresas incidam sobre o meu rendimento familiar, mas porque gosto muito de estar vivo e, para isso, tive que inventar uma blindagem que me salvaguarde destes inopinados sobressaltos.                           
Que promessas eleitorais foram cumpridas pelos partidos que se têm alternado no poder? Porque continuam a enganar os portugueses? Se o problema era o défice, por que razão continua ele a aumentar. Se o PM promete não haver necessidade de mais austeridade porque lança constantemente novos ataques ao minguado bolso dos cidadãos indefesos?
Creio que o poder está convencido que a populaça (ó Pulido desculpa lá o plágio) é toda estúpida e ainda engole a promessa de que não vai haver mais impostos como se essa promessa significasse que o rendimento das famílias não iria ser agravado.
Quem ainda acredita que o novo imposto hoje lançado sobre o comércio de alimentos vai ser pago pelas empresas do ramo? Quem impedirá que elas, perante a imposição de uma nova taxa, não aumentem o preço dos produtos que fabricam e comercializam?
O falacioso argumento de que a livre concorrência beneficia o consumidor devia castigar severamente quem o alimenta e divulga.
Ora vejam lá se têm coragem de tabelar o preço do pão e das azeitonas!
A.M

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O DÉFICE DO NASCIMENTO

Ao promover os “Roteiros do Futuro” o nosso PR mostrou a sua preocupação com a baixa natalidade dos portugueses que ao longo dos anos tem vindo a decrescer tanto, que já aventam várias hipóteses, entre as quais avulta a da falta de feminilidade por um lado e o da masculinidade por outro.
Se quando eu nasci a taxa da mesma era de 28% e em 2006 era de apenas 10%, várias concl...usões se podem tirar, mas não sei se os participantes nesta conferência entraram em linha de conta com o facto de antigamente se fazerem filhos para a mão-de-obra familiar (de um modo geral no campo) e hoje, o filho único de muitos casais vive do fundo do desemprego, ou ainda é mais uma boca a comer em casa dos pais.
Os portugueses, sempre atentos ao que se passa em Portugal, ficaram emocionadíssimos com esta constatação e reagiram de imediato - a maioria dos casais, nessa noite, foi para acama mais cedo.
Consta, também, que se esgotaram os comprimidos azuis nas farmácias e a Playboy nos quiosques de todo o país.
Este povo ama Portugal!
Descanse senhor Presidente. Aponte ou mande apontar a data desta importante conferência e daqui a nove meses veja o registo de nascimentos.
Não vai haver maternidades que cheguem!