segunda-feira, 23 de maio de 2011

Da Nação

No próximo dia 10 terá lugar nesta terra, que alguns de vós já conheceis, uma exposição cuja temática é sucintamente descrita no convite que aqui publico.
Como é evidente estarei presente e considero convidados, todos os amigos que se disponham a viajar até estas paragens já conhecida de alguns de vós.
Se aparecerem mais cedo poderemos desfrutar de um almoço em local aprazível à beira Tejo.
Um grande abraço para todos,
A.M.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Solidão - Retrato

Há dias fui espreitar ao nosso velhííííííssimo “Blogues do Leitor” só para ver se já tinham dado cumprimento à remodelação anunciada, facto para o qual pedem a nossa atenção diária. Continua tudo na mesma. O prazo de um mês que nos deram para retirar os textos, se assim o entendêssemos, também não se justificava. No meu caso, pelo menos, continua tudo lá.
Foi por isso que recordei aquele período em que travámos a guerra com o conhecido protetor de D. Teresa Peixoto, que tinha a mania que era espingarda de repetição.
Até me deu para começar um diário:

Solidão, solidão.
Depois de uma noitada a copiar textos, cheios de teias de aranha e de verdete, acorda já tarde.
Com os olhos enramelados e a baba seca na fissura do lado direito dos beiços, senta-se logo em frente do PC. No sábado é que é dia de tomar banho – fala para a gata que preguiçosamente lhe roça o rabo pelas canelas.
- Ah, ele é isso? Apanharam-me a dormir e empurraram-me para a rua?
Espera aí que já vão levar para tabaco - vocifera entre dentes.
Às 14H35 com os olhos raiados de sangue e 140 pulsações por minuto, ainda copia, recopia, reproduz e transcreve aquela coisa que escreveu há três anos, num dia em que o seu estro, quase sempre arredio, estava com predisposição para colaborar.
Continua.
Solidão, solidão.
São três horas da tarde e ainda existem dois comentários do inimigo no painel superior. Do inferior já toda a gente foi escorraçada.
Só mais um pequeno esforço e fica a obra completa.
O ato, pelo ininterrupto treino diário, já é automático, quase reflexo. Deste modo consegue ocupar a mente, planeando novas estratégias.
- Esta gentalha não merece a mínima consideração. É uma malandragem que não tem nada que fazer e vem para aqui bater cigarro só para me chatear.
- Pronto, já está! Assoem-se a este guardanapo.
Continua

Só então vai à “casinha” fazer as necessidades. Enquanto está sentado aproveita para ler “O Seringador”.
Nas páginas da astrologia, no dia dos fiéis defuntos, encontra um pensamento que o comove:
“As regiões traiçoeiras e inexploradas do mundo não se encontram nos continentes ou nos mares; estão na mente e nos corações dos homens”.
Vou usar esta próxima citação para o ano, quando voltar a escrever qualquer coisa de novo – pensou. Cuidadosamente recortou aquele pedaço com a tesourinha de cortar os pelos do nariz e guardou-o no bolso superior do pijama.
Limpou o rabo.
Continua

Meia hora depois, após ter aquecido e comido um ovo estrelado que tinha guardado no frigorífico e bebido meia gaiola de tinto dirigiu-se ao Jardim do Monte Tadeu, de que Portugal inteiro já ouviu falar por causa do ostracismo a que o Sr. Presidente da Câmara votou aquela freguesia da mui nobre cidade do Porto. Queria ver com os seus próprios olhos o pinheirinho de Natal, que, coitadinho, não solta um queixume por se encontrar ao relento e tem crescido a olhos visto. Sentou-se no banco em frente e ficou a mirá-lo, enternecido. Enxugou uma furtiva lágrima com a manga do casaco.
A voz de Pavarotti soou ao longe:
Una furtiva lagrima
Negli occhi suoi spunto:
Quelle festosee giovani
Invidiar sembro.
Che piu cercando io vo?
M'ama, lo vedo.
Un solo instante i palpiti
Del suo bel cor sentir! Continua

Acordou daquele encantamento ao ouvir uma voz:
- Muito boa tarde, Sr. Presidente da Comissão de Moradores.
- Olá, como vai, Sra. D. Teresa Peixoto? Como vai esse pé?
- Qual pé?
- O esquerdo, que partiu por causa dos buracos do empedrado.
- Já foi há tanto tempo que já nem me lembrava.
- Pois, pois, mas convém não esquecer porque a calçada ainda está cheia de buracos e convém pressionar o Rui Rio. Esse pezinho partido deu-nos muito jeito.
- Sim, mas… O que eu lhe queria pedir era que mandasse arrancar o pinheiro. Moro ali mesmo em frente e não consigo dormir durante toda a noite com o barulho do pinheiro a crescer.

Solidão, solidão (continuação)

- O quê? Ah, isso não! Peça-me tudo, mas que arranque o pinheirinho é que não pode ser. Venho visitá-lo todos os dias, há nove anos que o alimento, falo com ele como se fosse meu filho, delicio-me a olhar os seus rebentos de verde clarinho e até já o vacinei contra o nemátodo. O mais que posso fazer é pedir ao Rui Rio que mande colocar aqui daqueles painéis acústicos que se colocam à beira das auto-estradas para proteger as casas próximas do barulho dos motores.
Nesta altura, já se tinha posto de pé, e procurava uma saída airosa para cavar dali para fora. Com a desculpa de que ainda tinha de ir acabar o projecto de um jardim modelo encomendado pela freguesia de Ranholas.
Enquanto se afastava, em passo acelerado e suspeitosamente saltitante ainda resmungava:
- Ora esta… arrancar o meu pinheiro. Onde já se viu um desplante destes?

Continua


Solidão, solidão

Como de costume hoje acordou tarde. Passava da uma da tarde.
Correu para o seu adorado PC e nem foi ver as notícias.
Creio mesmo que nunca desliga o equipamento e tem a página dos Blogues do Leitor permanentemente aberta.
Ficou siderado pois viu logo que os seus extraordinários artigos se tinham esvaído pelo fundo da página, empurrados por um madrugador que acordou às 7 da matina.
Toca a enfiá-los outra vez no lugar. Ora deixa cá ver… 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 , 8 , 9 e 10, pronto já chegam!

Satisfeito com a sua primeira obra do dia, foi à casa de banho lavar os olhos, com a ponta dos dedos. Com um cotonete tirou algum serum dos ouvidos.

Despiu o pijama rosa choque, enfiou as ceroulas de perneiras compridas não sem antes reparar que já estavam um pouco sujas. Antes de calçar as peúgas deu-lhes uma cheiradela. Amanhã é que é dia de barrela – conformou-se.

Antes de sair para a rua foi espreitar o Blogues do Leitor.
Sorriu, vaidoso com o resultado do seu trabalho.

A.M.

Este texto obedece ao novo acordo ortográfico

domingo, 6 de março de 2011

Cidinha Campos

Deputada do PDT em acção
Não deixa de ser interessante comparar a diferença entre o estilo desta intervenção e aquele que é usado pelos nossos parlamentares.
Já quanto ao tecido que compõe as duas assembleias, a deles e a nossa, parece não existir nenhuma diferença.

sábado, 5 de março de 2011

Manifesto Anti-Dantas

Público Vs Jornal de Notícias

No jornal Público de hoje, no lugar do “Sobe e desce”, na última página, encontra-se uma notícia que devia envergonhar os responsáveis do “Jornal de Notícias”.
Passando por situação idêntica no que respeita ao desbragamento da linguagem usado por gente mal formada nos espaços abertos aos comentários no Público Online, este diário informa que a partir de amanhã, 5 de Março, em que celebra o seu 21 aniversário, todos os comentários vão passar a ser lidos antes de serem publicados.
Como anteriormente testemunhámos no “Blogues do Leitor” do JN, os prevaricadores não deixarão de considerar o veto aos seus “vómitos” como um acto censório, uma limitação à sua liberdade.
O JN fechou aquele espaço à participação dos seus leitores por causa de problemas idênticos e deixou escrito o seguinte aviso em rodapé:

O Jornal de Notícias decidiu melhorar os "blogues do leitor". Assim, e até ao novo espaço aberto à participação de todos, encerramos os blogues existentes. Esteja atento. Voltamos em breve com novidades.
Passaram alguns meses. O texto do “cartaz” deixou de fazer sentido.
Aconselho a leitura deste artigo sobre a alteração na publicação de comentários online.
A.M.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Notícia do dia

Notícia do dia:
Uma galinha chamada Hattie pôs um ovo de 177 gramas. Sabendo que um ovo XL pesa cerca de 35 gramas temos que considerar que é “obra”!
Ainda se fosse no Entroncamento, vá lá, admitia-se.
Mas o que mais me espanta é o pensamento “miudinho” do casal inglês possuidor deste belo exemplar, que não pondo ovos de ouro, põe ovos cinco ou seis vezes maiores do que um ovo normal.
Resolveram fazer uma omeleta gigante, pasme-se!
Então não era melhor chocar o ovo e conseguir uma galinha gigante, com uma cloaca gigante que pusesse estes ovóides monstros com muito menos sofrimento?
Estes bifes já não me conseguem surpreender.

Creio que já em 2010 um outro galináceo tinha posto um ovo ainda maior do que este, segundo o “Daily mail” que não pretende de modo nenhum ser vencido por esta notícia do “Mail Online”.

Perante este surpreendente acontecimento, eu, que não tenho culpa nenhuma do elevado grau de cepticismo que me caracteriza, diria que aqui há gato… perdão… avestruz.
A.M.







sábado, 12 de fevereiro de 2011

A Fera

De vez em quando caímos na toca das “feras” e morremos de susto só de olhar para elas e ver a gesticulação frenética que executam na tentativa de nos convencerem da sapiência dos seus pontos de vista.
A fera a que me refiro já teve uma toca no DN que me fez fugir a sete pés para outras paragens jornalísticas. No dia em que ele relatou a calma e a segurança com que tomou a sua banhoca no Tigre depois da invasão do Iraque, não aguentei mais e fugi dali a sete pés.
Agora, incauto, fui parar a um sítio onde se debatia o problema do Egipto e mais uma vez lá estava ela, a fera, com um dos seus ataques de radicalismo disparatado. Para ele todos os muçulmanos são extremistas e terroristas e já começa a ficar preocupado que um membro da Irmandade Muçulmana lhe enfie uma bomba debaixo da cama. Não lhe interessa nada que pessoas com mais tarimba para estas coisas considerem a queda de Mubarak como uma oportunidade para reduzir o paradigma do fundamentalismo.
Às tantas, berra:
- Eu não sou egiptólogo… sou ocidental!
Tá bem abelha. O Howard Cárter e o Champollion eram ocidentais e como arqueólogos que se dedicaram ao estudo do antigo Egipto, egiptólogos.
É no que dão as fúrias – no disparate.

Que um dedinho ocidental, muito mais ocidental do que acidental, está por trás do acordo feito com o ditador para abandonar o poder, ninguém duvidará.
Lá vai ele para o seu belo palácio nos Emiratos Unidos e ainda por cima com a garantia de nunca poder ser julgado.
Mas julgado porquê?
Não era ele um bom “Tampax” para defender os interesses de alguns países ocidentais?
E o Sinai ali tão perto…
A.M.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Rolex

Esta história identifica de modo muito claro a que ponto chegou a mentalidade de muitos responsáveis deste pobre país a quem confiámos as rédeas do nosso destino.

Avelino recebeu como prenda de aniversário um belo relógio em ouro pago com dinheiro das freguesias do concelho de Marco de Canavezes. Avelino acha que foi um ato perfeitamente legal já que foi decidido pelas juntas de freguesia. Ele diz que não sabe porque razão os autarcas vão ser julgados.
Tudo isto se passou no dia do seu aniversário que não se sabe bem se foi em janeiro ou em novembro dado que a data que consta no bilhete de identidade parece ser falsa.
Como era o último ano do seu mandato (2005) deu uma festinha e convidou alguns autarcas. Todos sabemos que quando somos convidados para um evento deste tipo devemos sempre levar qualquer coisa para oferecer ao aniversariante. Se for uma senhora fica bem oferecer um belo ramo de flores, para um cavalheiro talvez um vintage de boa marca, por exemplo.
Não me custa nada imaginar a cara de espanto do Sr. Presidente quando abriu o embrulhinho com o belo “clock” de 18 quilates.
- Oh! Oh!... Mas que surpresa mais agradável!?
Sim, porque segundo ele próprio afirma, não sabia de nada. Nem sequer sabia que ia receber uma prenda.
Parece que a imprensa já estava informada, mas ainda hoje não se sabe quem deu com a língua nos dentes.
Tendo a atribuição das verbas sido decidida pelas juntas de freguesia o Sr. Presidente acha que tudo está conforme com a legalidade.
Mas o mais interessante é o uso do velho hábito de perguntar “qué dele os outros?” para tentar justificar ou pelo menos amenizar o crime cometido. Então mete os exemplos de Sampaio e Catroga que acham não ser peculato aceitar prendas. Pagas com dinheiro do erário público?
Ah! Pois! Um Rolex de 15 mil euros? Caramba, ainda se fosse uma casa?
Claro que se fosse um automóvel utilitário também não estava mal.
E um Breguet Pocket Watch como o da figura que dava para comprar duas casas? Seria melhor?

Nota: Dei-me ao trabalho de verificar que Marco de Canavezes tem 29 freguesias e parece que só 26 contribuíram para o presentinho, donde posso legitimamente concluir que houve freguesias dissidentes, isto é, não sacaram 500 euros do erário público.
No País onde reina a falta de ética e a ilegalidade proponho que sejam julgados e condenados os únicos resistentes.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O Ano do Coelho

Atenção! Muita atenção!
Amanhã começa o Ano do Coelho, segundo o calendário chinês.
Ponham os olhos na Madeira.
Jardim, que em tempos pretendia expulsar os chineses da Ilha, vai agora enfrentar a fúria dos deuses de olhos em bico.
O representante de Oxum na Terra, já se encontra na Ilha e promete provocar ataques de azia a Jardim, durante este ano. Como o ano anterior foi o Ano do Tigre, por isso muito feroz, espera-se um início calmo que contudo recrudescerá até atingir o pico máximo lá para o verão.
“A influência do ano do coelho tende a atrapalhar ou estragar os momentos de mais conforto despertando, ressaltando e relevando a eficácia e o sentido do dever”, reza o horóscopo.
Depois veremos.
A.M.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Preservemo-nos de criticar os alentejanos

Um amigo, alarmado e incrédulo, enviou-me uma série de gastos executados por entidades públicas, que são difíceis de “engolir”.
Uma delas dizia respeito à Administração Regional de Saúde do Alentejo:

Aquisição de 1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas: 97.560,00€

Fui ver. A neve caía do azul cinzento do céu…

Não encontrei o item referido, mas encontrei estes:

2009-2-09 – contracetivos Prisfer ------------ 60.396,00 euros
2009-2-09 – contracetivos Wyeth Lederle --- 60.396.00 euros
2009-6-09 – contracetivos Schering ----------- 43.170,00 euros

Agora percebo porque anda tão baixa a taxa de natalidade!
Só espero que nas outras regiões do país não gastem tanto em contracetivos.
Oiçam o que diz o Papa. Não liguem aos alentejanos que esses gajos não vão à missa!

Nota: O texto respeita as regras do novo acordo ortográfico